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Carta do 42º Encontro Regional de Presbíteros – Sul 3

Estimados irmãos em Cristo!
Nós, 66 presbíteros diocesanos e religiosos, representantes de 18 dioceses do
Rio Grande do Sul, estivemos reunidos durante os dias 10, 11 e 12 de novembro de
2025, no Centro de Espiritualidade Cristo Rei – CECREI, São Leopoldo, em nosso
42o Encontro Regional de Presbíteros (ERP). Contamos com a presença de Dom
Adimir Antonio Mazali, bispo referencial da Comissão Episcopal para os Ministérios
Ordenados do Regional Sul 3, que acolheu a todos os presbíteros e deixou uma
mensagem de motivação. Contamos ainda com a presença do bispo Dom Carlos
Rômulo Gonçalves e Silva, bispo de Montenegro, secretário da presidência da CNBB
Sul 3.
O Encontro foi assessorado pelo padre Rudinei Lasch, Secretário da Comissão
Nacional de Presbíteros (CNP), que abordou o tema: “Presbítero no contexto digital”,

com o texto base em preparação ao 20o Encontro Nacional de Presbíteros, a realizar-
se no próximo ano em Aparecida, SP.

Na segunda-feira, dia 10, iniciamos às 14h com a oração, apresentação dos
presbíteros, logo após, o assessor discorreu e contextualizou sobre o tema, refletindo
sobre a identidade presbiteral e a missão comunicacional da Igreja em meio à
complexa e saturada cultura digital contemporânea. O presbítero é chamado a ser
instrumento vivo da comunicação salvífica de Deus. O ponto de partida é a convicção
de que Deus é o primeiro comunicador, cuja iniciativa de Revelação precede e
fundamenta toda vocação e missão, conforme ilustrado pelo chamado de Isaías:
“Quem enviarei? E quem irá por nós?” (Is 6, 8). O presbítero, ao escutar este
chamado, torna-se um instrumento vivo do diálogo salvífico, configurado na
dinâmica de escuta e resposta: “Eis-me aqui, envia-me.”
Em Jesus Cristo, a Palavra feita carne, a comunicação divina atinge seu ponto
culminante, manifestando-se não só em palavras, mas em gestos, no corpo e na cruz.
A Igreja é convidada a prolongar essa comunicação salvífica, reconhecendo que
evangelizar é comunicar e gerar comunhão.
O ser humano, no processo da Revelação, é o receptor que, ao escutar a
Palavra, é chamado à “obediência da fé” (DV, n. 5). O comunicador cristão autêntico
não é movido pela busca por audiência, mas pela fidelidade à Palavra escutada,
colocando-se humildemente como canal da vontade de Deus. A verdadeira
comunicação, longe de ser distante, é próxima e participativa, assim como o diálogo
de Deus com Moisés “face a face” (Ex 33, 11).
A autocomunicação divina é o fundamento de uma teologia da comunicação,
onde comunicar é participar da dinâmica trinitária do Amor. No tempo das redes, a
comunicação da fé é desafiada por um mundo de mensagens fragmentadas,
imediatismos, algoritmos, que criam “bolhas” e filtros que distorcem a realidade.
No mundo atual, marcado por ruídos e dispersões digitais, o presbítero deve
ser um comunicador fiel, que escuta antes de falar, usa linguagem acessível sem
perder a profundidade e testemunha a esperança. A cultura digital exige presbíteros
preparados para dialogar com responsabilidade, ética e espiritualidade.
A cultura digital é compreendida como mediação, não como um fim em si.
O desafio pastoral reside em construir uma presença cristã que humanize os
algoritmos e use as redes sociais como espaço de encontro, relacionamento humano
verdadeiro e missão compartilhada, sem cair na superficialidade ou na absolutização

do meio. Evangelizar no mundo digital não é convencer, mas compartilhar a
experiência transformadora do encontro com Cristo.
Encerramos as atividades do dia com a Celebração Eucarística presidida pelo
Pe. Dirceu Balestrin, presidente da CRP Sul 3. À noite, tivemos reunião com os
coordenadores diocesanos onde avaliamos o Curso de Formação Permanente para
Presbíteros; a 2a Romaria dos bispos, presbíteros e seminaristas, realizada no dia 08
de setembro em São Domingos do Sul; os encaminhamentos para o ano de 2026,
principalmente o 20o Encontro Nacional de Presbíteros.
Na terça-feira, dia 11, iniciamos com a Celebração Eucarística presidida pelo
bispo Dom João Francisco Salm, bispo de Novo Hamburgo. Na retomada dos
trabalhos, o assessor traçou um breve histórico da comunicação da Igreja no Brasil,
desde a oralidade, símbolos e teatro catequético dos jesuítas no século XVI (São José
de Anchieta, Padre Antônio Vieira), passando pela imprensa católica do século XIX,
o rádio católico dos anos 50, até o surgimento das TVs católicas nos anos 80. O
Concílio Vaticano II, com a Inter Mirifica (1963), reconheceu a importância dos
meios de comunicação. Atualmente, a evangelização se estende aos vídeos curtos,
podcasts e diversas redes sociais.
No Brasil, o uso intensivo do ambiente digital (o país lidera o tempo gasto na
internet via smartphone) exige uma reflexão sobre os riscos da superficialidade e a
necessidade de compreender a comunicação como um processo relacional, ético e
simbólico. As redes não substituem a comunidade, mas devem ser um canal que leva
a ela.
A digitalização crescente da vida trouxe consigo vícios comportamentais que
ativam o sistema de recompensas do cérebro (notificações, curtidas), explorando o
desejo humano de ser reconhecido e aceito. O uso compulsivo afeta a concentração e
o pensamento crítico.
Diante disso, a identidade presbiteral na sociedade em rede exige uma
consciência mais profunda do papel pastoral. O presbítero comunicador não busca
conquistar seguidores, mas semear sentido e ser testemunha de esperança e da
Verdade. Sua linguagem deve ser clara; sua presença, aberta ao diálogo; seu
conteúdo, fiel ao Evangelho. A crise da “cultura do clique” e da superficialidade
convoca a Igreja a habitar os areópagos modernos, promovendo uma comunicação
que una coração e razão, fé e cultura, e onde o testemunho pessoal é mais eficaz do
que o discurso.
Em suma, a missão do presbítero na cultura digital é ser servo da Palavra,
promovendo presença, escuta e comunhão, e ajudando as pessoas a formularem as
perguntas certas em um mundo saturado de informações, lembrando que “a caridade
também comunica”.
Encerramos o dia com uma confraternização.
Na quarta-feira, último dia, iniciamos com a oração das Laudes, após,
realizamos a leitura e aprovação da Carta do 42o ERP, a avaliação do encontro e
encaminhamentos para o ano de 2026: 20o ENP dias 27 de abril a 1o de maio em
Aparecida/SP; as datas das próximas reuniões; Curso de Formação Permanente para
Presbíteros nos dias 23 a 29 de agosto; e o 43o ERP a realizar-se nos dias 16 a 18 de
novembro de 2026.
O Encontro foi marcado pela convivência, partilha de experiências e
confraternização. O desafio é levar e motivar a temática às dioceses do regional,
promovendo a formação permanente.

Concluímos o 42o ERP com a Celebração Eucarística presidida por Dom
Adimir Antonio Mazali, que destacou a importância da presença de representantes de
todas as dioceses no encontro, como sinal de unidade da Igreja presente no Regional
Sul 3, oportunidade para aprofundar temas pertinentes no mundo contemporâneo;
fortalecer a espiritualidade presbiteral e a fraternidade na vivência do ministério.
Recordou o modelo de dedicação de pastor de São Josafá, bispo e mártir,
memória celebrada na liturgia; o agir com a Sabedoria de Deus, ter um coração
agradecido pela ação de Deus em nossa vida e através do nosso serviço, na vida do
povo que nos é confiado. Concluiu pedindo que sejamos comunicadores da verdade
anunciada por Jesus Cristo com espírito aberto às novas tecnologias sem deixar de
realizar tudo “com o coração de pastor”.
Desejamos que o Espírito Santo nos conduza na missão de comunicar a
verdade e cuidar do rebanho a nós confiado, invocamos a proteção de Nossa Senhora
Medianeira e de São Pedro!

São Leopoldo, 12 de novembro de 2025.
Encontro Regional de Presbíteros