Terceiro Dia, Domingo, 05/10/2025 – A Virtude da Justiça em Maria e na vida da gente
Jubileu das Forças de Segurança (Polícias, Bombeiros, Defesa Civil, Força Voluntária, Agentes de Trânsito, SAMU)
Homilia da 3ª Tarde da Novena de Fátima – Pe. Jean Carlos Demboski, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Monte Claro, Áurea

Neste terceiro dia de nossa novena, a Liturgia da Palavra nos convida a refletir sobre a virtude da justiça.
O profeta Jeremias anuncia: “Farei brotar de Davi um rebento justo, que trará a salvação e a segurança ao povo” (Jr 33,15). Esse rebento é Jesus Cristo, a plenitude da justiça de Deus. No Evangelho, o próprio Senhor nos recorda: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33).
Ao olharmos para Maria, encontramos o mais belo reflexo dessa justiça divina. Ela foi justa porque acreditou na Palavra de Deus, acolheu a sua vontade e colocou-se inteiramente a serviço. Sua vida foi marcada por fé, obediência, humildade e caridade. Em Fátima, como Mãe atenta, convida-nos a viver a justiça por meio da oração, da conversão e da vida centrada em Deus.
Mas o que significa justiça na linguagem da fé?
Na Sagrada Escritura, ser justo é viver em aliança com Deus, orientando toda a existência segundo a sua vontade. Como ensina a nossa Igreja, “a justiça consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido” (CIC, n. 1807). Trata-se, portanto, de uma virtude que une a fé e a vida, tornando o cristão testemunha concreta do amor divino no meio do mundo.
Os Padres da Igreja também nos ensinaram que a justiça é inseparável do amor. São Basílio Magno nos adverte: “O pão que tu guardas pertence ao faminto; o manto que tu escondes é do nu; o dinheiro que guardas é do necessitado” (Homilia in Lucam).
A Gaudium et Spes, uma Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II, nos recorda que a justiça é expressão do amor social, que ser justo é viver de modo que a dignidade humana e o bem comum sejam promovidos à luz do Evangelho.
O Papa Francisco, na encíclica Fratelli Tutti, nos recorda que a justiça verdadeira está sempre unida à fraternidade: “A verdadeira justiça exige que defendamos a dignidade humana e promovamos a fraternidade universal” (FT, n. 110). E na Evangelii Gaudium ele reafirma que a fé autêntica é inseparável do compromisso social: “Nenhum cristão pode sentir-se autorizado a permanecer indiferente diante do sofrimento dos irmãos” (EG, n. 188).
Esses ensinamentos continuam ecoando hoje: ser justo é reconhecer que tudo o que temos é dom de Deus, e, portanto, deve servir para a vida e para o bem dos outros.
Queridos romeiros e romeiras, lembremo-nos sempre:
A justiça não é apenas uma ideia, mas um modo de viver. Quando participamos da catequese, quando cuidamos com carinho do Batismo das crianças, quando vivemos a fé no cotidiano com simplicidade e solidariedade, estamos colocando em prática a justiça de Deus.
Por isso, esta novena nos convida a alguns compromissos concretos:
- Confiar em Deus acima de tudo, como Maria, que se abandonou inteiramente à vontade do Senhor;
- Educar nossas crianças e jovens na fé, ajudando-os a crescer na amizade com Deus e na justiça do Evangelho;
- Viver o Batismo como compromisso, traduzindo-o em serviço, amor e cuidado com a criação;
- Praticar a caridade e a solidariedade, lembrando que a justiça cristã nunca se separa da fraternidade.
Que Nossa Senhora do Rosário de Fátima nos ensine a ser justos como ela; e que, fortalecidos pela graça do Espírito, testemunhemos no mundo que só em Deus está a verdadeira justiça e a verdadeira paz.
Amém.