Terceiro Dia, Domingo, 05/10/2025 – A Virtude da Justiça em Maria e na vida da gente
Jubileu das Forças de Segurança (Polícias, Bombeiros, Defesa Civil, Força Voluntária, Agentes de Trânsito, SAMU)
Homilia da 3ª Noite da Novena de Fátima – Pe. Maximino Tiburski, Pároco da Paróquia São Roque, Itatiba do Sul – Área Pastoral de Aratiba

Salve Maria. Saúdo com muito carinho aos colegas padres e diáconos de nossa área pastoral de Aratiba, e aos demais padres que rezam conosco nesta noite.
Minha saudação especial aos profissionais da segurança em seu jubileu que o bom Deus e Nossa Senhora de Fátima os abençoe e proteja.
Meus irmãos e minhas irmãs romeiros de Fátima, reunidos aqui neste santuário ou que rezam conosco através dos meios de comunicação.
Hoje somos convidados a refletir e a rezar sobre a virtude da justiça em Maria e na vida da gente. Ser justo compete a dar a cada um o que lhe é devido. Implica em reconhecer e respeitar os direitos e necessidades de cada indivíduo, seja em termos de bens materiais, honra, respeito e reconhecimento.
A Justiça é fundamental para a convivência pacífica e para o bem comum. Pois estabelece as bases para as relações justas e equitativas entre as pessoas. Ela é um pré-requisito para a verdadeira caridade, pois não se pode amar verdadeiramente alguém sem antes garantir o que lhe é devido por justiça. Assim, a justiça também se manifesta em nosso relacionamento com Deus, através do cumprimento dos mandamentos e da prática da fé. Deus não abençoa a injustiça. Somos irmãos, com a mesma dignidade. E assim, por meio desta fome de justiça, o homem abre-se a Deus que “é a justiça por excelência”. Jesus, no Sermão da Montanha, expressou isto dum modo claro e conciso: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados
Tendo diante dos olhos este sentido evangélico da justiça, devemos considerá-la ao mesmo tempo como dimensão fundamental da vida humana sobre a terra: vida do homem, da sociedade e da humanidade. Esta é a dimensão ética. A justiça é princípio fundamental da existência humana, como também das comunidades humanas, das sociedades e dos povos. Além disso, a justiça é princípio da existência da Igreja como Povo de Deus, É necessário para cada um de nós poder viver num contexto de justiça, e ainda mais, ser cada um de nós justo e atuar com justiça a respeito dos que estão perto e dos que estão longe, da comunidade, da sociedade de que é membro… e a respeito de Deus. A exemplo de Maria que nos convida a reconciliação e a fazer o que seu filho nos pede.
Na leitura bíblica que ouvimos, o profeta Jeremias mostra ao povo que retorna do exílio desmotivado em meio às dificuldades, que não percam a esperança na reconstrução da vida. Afirma, se vocês confiarem na promessa que Deus fez a nossos antepassados e forem fiéis a Ele e a na sua justiça reviverão.
Também o evangelho nos convida a confiança e a esperança no criador. Não podemos nos apegar aos bens passageiros como forma de segurança em nossa vida, pois o que temos fica aqui, mas o que somos é eterno. Vejam o exemplo das aves do céu. Buscai o reino de Deus e sua justiça e o resto vos será dado por acréscimo.
Cristo deixou-nos o mandamento do amor a Deus e ao próximo. Neste mandamento inclui-se também tudo o que diz respeito à justiça. Não pode haver amor sem justiça. O amor “supera” a justiça, mas, ao mesmo tempo, encontra a sua verificação nela. Até o pai e a mãe, amando o próprio filho, devem ser justos com ele. Vacilando na justiça, também o amor corre perigo.
A justiça, com efeito, é chamada a desempenhar uma função superior na convivência humana, não podendo ser reduzida à mera aplicação da lei ou à ação dos juízes, nem limitar-se aos aspetos processuais.
«Amas a justiça e odeias a injustiça» (Sl 45, 8), lembra-nos a expressão bíblica, exortando cada um de nós a fazer o bem e a evitar o mal. E quanta sabedoria contém a máxima “dar a cada um o que é seu”! No entanto, tudo isso não esgota o desejo profundo do justo que está em cada um de nós, aquela sede de justiça que é o principal instrumento para construir o bem comum em qualquer sociedade humana. Na justiça, está a dignidade da pessoa, a sua relação com o outro e a dimensão da comunidade feita de convivência, estruturas e regras comuns. Deve-se colocar no centro o valor de cada ser humano, a reparar através da justiça as formas de conflito que podem surgir do agir individual, ou da perda do sentido comum que pode envolver também aos semelhantes e as estruturas.
A tradição ensina-nos que a justiça é, em primeiro lugar, uma virtude, ou seja, uma atitude firme e estável que guia o nosso procedimento segundo a razão e a fé. A virtude da justiça, consiste na « firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido». Nesse sentido, a justiça dispõe «a respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum», objetivo que se torna garantia de uma ordem que protege os fracos, aqueles que pedem justiça porque são vítimas de opressão, excluídos ou ignorados. A justiça evangélica, portanto, não se desvia da justiça humana, mas questiona-a e redesenha-a: leva-a a ir sempre mais além, porque a impulsiona à busca da reconciliação. O mal, na verdade, não deve apenas ser punido, mas reparado, e para isso é necessário um olhar profundo em relação ao bem das pessoas e ao bem comum. Tarefa árdua, mas não impossível para quem, cabe defender a justiça, manter uma conduta de vida irrepreensível. Defender os pequenos, sofridos e injustiçados. Ela é fundamental para a construção de uma sociedade justa e pacífica, onde todos são tratados com dignidade. O justo viverá pela fé.
«Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (Mt 5, 6). Com esta bem-aventurança, o Senhor Jesus quis expressar a tensão espiritual à qual é necessário estar aberto, não só para obter uma verdadeira justiça, mas sobretudo para a procurar e aplicar nas diferentes situações históricas. Ter fome e sede de justiça, equivale a estar consciente de que ela exige o esforço pessoal de interpretar a lei do modo mais humano possível, mas, sobretudo, pede que se procure uma «saciedade» que só pode ser satisfeita numa justiça maior, que transcenda as situações particulares.
Queridos amigos, o Jubileu da esperança que vivemos, nos convida também a refletir sobre um aspecto da justiça que muitas vezes não é suficientemente focado: a realidade de tantos países e povos que têm «fome e sede de justiça», e de paz porque as suas condições de vida são tão injustas e desumanas que se revelam inaceitáveis. Também em nosso meio pode haver injustiças.
As palavras exigentes de Santo Agostinho inspiram cada um de nós a exercer, sempre e da melhor maneira, a justiça a serviço do outro, com o olhar voltado para Deus, respeitando plenamente o direito e a dignidade das pessoas.
Ganharás o pão com o suor do rosto. Ser justo significa dar a cada um o que lhe é devido. O melhor exemplo pode ser, neste particular, a retribuição do trabalho ou o chamado direito aos frutos do próprio trabalho ou da própria terra.
Mas ao homem deve-se, além disso, o bom nome, o respeito, a consideração e a fama, que para si mereceu.
A virtude da justiça faz-nos ver que não pode haver um verdadeiro bem para mim, se não existir também o bem de todos. Por isso, a pessoa justa vigia sobre o seu comportamento, para não prejudicar os outros. Não vende favores. Ama a responsabilidade, e é exemplar na vivência da legalidade. Seguramente o justo atrai graça e bênção quer para si próprio, quer para a sociedade onde vive. A justiça é fundamental para uma convivência pacífica na sociedade: num mundo sem leis, seria impossível viver; seria o triunfo do mais forte sobre o mais fraco, como na selva. Sem justiça, não há paz.
É por isso, meus irmãos, que é necessário aprofundarmos continuamente o conhecimento da justiça. Não se trata duma ciência teórica. É virtude, é capacidade do espírito humano, da vontade humana e também do coração. Requer-se ainda que oremos para sermos justos e sabermos ser justos. Não podemos esquecer as palavras de Nosso Senhor. Com a medida com que medirdes sereis medidos (Mt 7, 2). Deus nos abençoe.
Amém