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Homilia da 2ª Tarde da Novena de Fátima - Pe. Valtuir Antonio Bolzan

Homilia da 2ª Tarde da Novena de Fátima – Pe. Valtuir Antonio Bolzan (04/10/2025)

Segundo Dia, Sábado, 04/10/2025 – A Virtude da Prudência em Maria e na vida da gente

Jubileu das Famílias

Homilia da 2ª Tarde da Novena de Fátima – Pe. Valtuir Antonio Bolzan, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição, Getúlio Vargas

Estimados romeiros e romeiras de Nossa Senhora de Fátima. Minha Saudação a todas as famílias aqui presentes e que rezam pelos meios sociais, hoje celebrando seu jubileu. Que bom estarmos na casa da Mãe! Viemos de diferentes lugares. Trazemos no coração muitos pedidos, agradecimentos e depositamos aos pés de Nossa Senhora de Fátima, nossa queridíssima Mãe.

Este lugar transpira paz, tranquilidade, serenidade, oração. Como Peregrinos de Esperança aqui estamos, para fortalecer a nossa ORAÇÃO, nossa DEVOÇÃO, meditando a “Virtude da Prudência em Maria e na vida da gente”.

A vida de hoje é muito corrida e exige de nós decisões práticas e rápidas, muitas vezes, a vida nos demanda – agilidade – para decidir e agir, então, certo é que nós devemos ter um coração prudente, pois é a virtude da prudência que nos auxilia nos momentos de decisão e ação, para que nossas escolhas e atitudes sejam de acordo com a vontade de Deus.

A virtude da prudência é uma das virtudes cardeais e são essas que atuam em nossas almas como “guia” de outras virtudes morais, ou seja, a alma que possui a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança, adquiri também todas as outras virtudes morais! A Prudência é a mãe das virtudes.

O texto bíblico dos Provérbios 8,12-21 que acabamos de ouvir, relatou que a Sabedoria é um dom de Deus que habita com a prudência, e que o princípio de encontrá-la é o temor do Senhor, o que implica em odiar o mal, a arrogância e a falsidade. A Sabedoria oferece conselhos, compreensão e força, sendo a base para a justiça dos governantes e é a fonte de riquezas duradouras para aqueles que a buscam diligentemente. A sabedoria Divina habita com a Prudência.

Quem age com prudência, examina com ponderação, resolve com bom senso e executa com exatidão.

A parábola das dez virgens, que do Evangelista Mateus destacam a necessidade de vigilância, prudência e preparo espiritual para a vinda do noivo (Jesus) e a vida eterna. O óleo representa a fé, o amor, o Espírito Santo e as boas obras, que não podem ser emprestados, mas precisam ser cultivados individualmente por meio de uma vida de obediência e retidão. A parábola enfatiza que a salvação é um ato pessoal de preparação, e a porta se fechará para aqueles que se descuidarem da sua preparação espiritual para o encontro com Deus. 

Quando olhamos para a vida de Maria. Vemos que ela foi a Virgem prudentíssima.

Prudentíssima em relação ao fim que se propôs, que foi só de agradar sempre e em tudo a Deus e de servi-Lo e de amá-Lo com toda a capacidade de seu coração. Prudentíssima nos meios por Ela empregados, que foram escolhidos com ponderação e conselho. Prudentíssima em saber calar e saber falar em tempo oportuno. Em uma e outra coisa, Maria foi incomparável. Poderia ter falado, manifestando a José o mistério que se havia operado n’Ela, dissipando assim a perturbação do amantíssimo Esposo; mas isto seria revelar o segredo do Rei do Céu, isto se teria convertido em glória sua; preferiu, pois, calar e deixou que falasse Deus por meio do Anjo. Teria podido falar em Belém, quando Lhe foi recusada hospedagem, dando a conhecer a nobreza de sua origem, sua sublime dignidade: a humildade profunda e o desejo de sofrer, de conformar-se com o querer divino. Quantas coisas teria podido dizer aos Pastores e aos Magos que vieram visitar o Menino Jesus. Isto poderia ter perturbado a adoração e a contemplação desses santos personagens diante de Jesus: a glória de Deus, a caridade para com os Magos e os Pastores a impediram de falar e calou-se. Ouvia com admiração tudo o que diziam para a glória do Filho, de sua celeste doutrina, de seus milagres; Maria, mais que os outros, O admira em seu coração, e neste conserva com desvelo aquelas palavras e aqueles fatos.

 O velho profeta Simeão Lhe prediz os destinos do Filho e seus futuros; Maria não acrescenta uma só palavra, pois está pronta para tudo, não exalta sua resignação, escuta, oferece-se a si mesma em holocausto junto com o Filho, e cala-se. Cala-se sob a Cruz, cala-se nas tribulações, nas humilhações, como, por modéstia, cala-se na alegria e na glória. Eis as provas admiráveis de prudência divina que nos oferece o silêncio de Maria. Mestra incomparável no calar quando se devia calar, mostrou-se também mestra insuperável no falar a tempo, no lugar e do modo conveniente. Falou ao Arcanjo São Gabriel e não podemos deixar de admirar a prudência de suas palavras. Falou à sua parenta Santa Isabel e suas palavras fizeram exultar de pura alegria, ainda antes de seu nascimento, o futuro Precursor de seu Filho. Suas palavras foram uma profissão de humildade, de gratidão, um cântico de louvor, um hino sublime de agradecimento a Deus. Falou com o Filho no Templo e suas palavras foram uma admirável demonstração de afeto e de solicitude maternais. Falou nas bodas de Cana e com suas palavras ficou patente sua compassiva misericórdia para com os necessitados e sua ilimitada confiança em Deus. Ó admirável prudência de Maria, prudência incomparável tanto no falar como no calar.

Com a virtude da Prudência, Maria nos ensina: A obediência a Deus, a confiança na Vontade Divina, silenciar para escutar e discernir a vontade Divina, a falar no tempo oportuno, a renunciar à nossa vontade, a romper com a teimosia e o imediatismo, e a abandonar-se nas mãos de Deus, buscando uma vida de amor e entrega. Tudo isso somos convidados a viver no coração de nossa FAMÍLIA.