Composição reúne o tema e o lema da 75ª Romaria à Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis
“Vamos rezar pela paz, cantar a paz e viver em paz!”. É assim que começa o hino da 75ª Romaria de Nossa Senhora de Fátima, que será celebrado ao longo dos dez dias de programação, de 2 a 11 de outubro. Há 30 anos, o Pe. José Carlos Sala compõe os hinos das Romarias, e, para esta edição, novamente transformou em música a mensagem que será vivida pela comunidade. A composição parte do tema “Fátima, um apelo de paz!” e do lema “Felizes os que promovem a paz!” (Mt 5,9), incorporando ainda versos da Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis. O resultado é uma canção que transforma a mensagem da Romaria em oração, com um refrão que repete a palavra “paz” e estrofes que apresentam atitudes concretas diante do ódio, da ofensa, da discórdia, da dúvida, do erro, do desespero, da tristeza e das trevas.
O hino é um dos últimos elementos definidos na preparação da Romaria. Antes da composição, são elaborados os textos bíblicos, as reflexões e a própria temática que será trabalhada ao longo dos dias. A partir desse conteúdo, Pe. Sala conta que começa o processo criativo, que, neste ano, levou cerca de dois meses. “A gente vai bebendo da fonte”, explica, referindo-se justamente a esse conjunto de textos, reflexões e conteúdos que vai sendo construído antes de a música nascer. A preocupação é fazer com que a melodia seja acessível e possa ser cantada por uma grande comunidade. Por isso, além das vozes de Pe. Sala e Elise Moraes, a gravação conta com o coro formado por Lucila Veleda dos Santos, Natali Polli, Eduarda Paludo e Aline Kozak.
A escolha da repetição da palavra “paz” no refrão também tem uma razão. Segundo o sacerdote, durante as reflexões da comissão da Romaria ficou evidente a necessidade de fazer desse tema um apelo reiterado. “É uma maneira poética insistente de dizer que nós precisamos urgentemente de paz”, afirma. A estrutura das estrofes segue a mesma lógica de oração: uma voz apresenta cada situação e a resposta aponta uma atitude. “Onde houver ódio, que eu leve o amor”; “onde houver ofensa, que eu leve o perdão”; “onde houver discórdia, que eu leve a união”.
A música também cresce junto com a mensagem. No último verso, “onde houver trevas, que eu leve a luz”, há uma mudança melódica e harmônica, com a elevação de dois semitons. A instrumentação ganha mais força com a presença mais marcante da percussão e do baixo e a entrada do sax soprano, que até então não aparecia. Para Pe. Sala, o recurso representa musicalmente o percurso feito pela oração: depois de passar pelo amor, perdão, união, fé, verdade, esperança e alegria, o canto ganha força para buscar a luz e, com ela, a paz.
A gravação reúne ainda Luiz Henrique Bernardon na bateria, Gabriel Jorosczniski no baixo, Marcos Casanova no violão, Alexandre Pompermaier na flauta e no sax soprano, Juliana Machado no violino e Pe. Sala no piano. Bernardon também assina a gravação e a mixagem. Ao longo desses 30 anos, muitos dos hinos compostos para a Romaria passaram a integrar o repertório litúrgico e mariano da Diocese de Erexim. Para Pe. Sala, essa permanência tem relação com a capacidade da música de guardar uma mensagem. “Tantas Romarias passadas foram-se, e o que fica não são os tantos discursos e reflexões, mas ficam os versos e as melodias”, observa.
O hino deste ano nasce, assim, para acompanhar os dez dias de Romaria, mas também para continuar depois deles. Pe. Sala conta que costuma imaginar a música sendo cantada na esplanada e, depois, seguindo com os romeiros para suas casas. Um refrão que permanece na memória pode se transformar também em uma forma simples de continuar a oração: rezar pela paz, cantar a paz e, sobretudo, viver a paz.


