AS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL
A Igreja do Brasil, diante das complexas realidades sociais e eclesiais de nosso tempo, de modo especial perante o desafio da atividade pastoral no meio urbano, procura dar uma resposta concreta afim de melhor viver o nosso chamado evangélico de anunciar a Palavra de Deus a todos. Iluminado por esse anseio, a Conferências Nacional dos Bispos do Brasil nos apresenta As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que tem como intuído central, formar e evangelizar discípulos e discípulas missionários que vivam a sua fé à luz da Opção preferencial aos pobres, Cuidado com a casa Comum, o testemunho do Reino de Deus e a centralidade da Palavra de Deus (DGAE. nº1).
Assim sendo, o documento estrutura-se em torno da figura da casa. Nesse sentido, tal metáfora procura representar de que forma somos chamados a viver profundamente uma autêntica comunidade eclesial missionária. O nº8 do presente documento nos ensina que esta casa seja um ambiente de fé e deve ter suas portas continuamente abertas, tornando a Igreja visível nas diversas realidade onde encontra-se o povo de Deus, tornando de fato uma autêntica Igreja em saída.
Perante tal labuta, o Documento continua nos apresentando como um desafio crucial neste processo, a conversão pastoral, que em suma exige que superemos uma postura burocrática e caduca em nossas instituições eclesiais (DGAE. nº32). Neste sentido, a Igreja no Brasil faz um profundo apelo para que possamos oferecer às pessoas um ambiente comunitário que de fato gere proximidade, irmandade e confiança. Em suma, que de fato sejamos comunidades de comunidades (Doc.100 nº 168).
Para viver este ideal, precisamos firmar a nossa experiência de comunidade em bases sólidas que denotem a urgência em viver tal dinâmica ao passo que promova a gradual reforma de nossas estruturas e de nossa experiência comunitária. Neste sentido, as Diretrizes nos apresentam quatro pilares fundamentais. O primeiro é o pilar da Palavra, que procura por meio da Iniciação à Vida Cristã e a animação bíblica, dar o fundamento para a vida comunitária firmada nas Sagradas Escrituras (DGAE. nº88).
O segundo é o pilar do pão, onde encontramos a insubstituível importância da centralidade da Eucaristia e da Palavra de Deus, por meio da vivência litúrgica e espiritual, fixando assim tais elementos como o coração da comunidade (DGAE. nº93). O terceiro pilar é o da caridade, onde encontramos expresso o serviço pleno da Igreja àqueles que mais necessitam (DGAE. nº102). Mais do que um simples assistencialismo, aqui encontramos um profundo compromisso com a dignidade humana, de modo especial com os pobres. E por fim, temos o pilar da ação missionária, que nos indica a necessidade de vivermos um constante espírito de missão, buscando assim a vivência permanente de uma espiritualidade do encontro com Jesus e com o próximo, sendo de fato uma Igreja em saída (DGAE. nº114).
Portando, a constante conversão de nossas comunidades é um irrenunciável e importante desafio de nosso tempo. É urgente que, superemos as nossas estruturas e caducas, afim de, sustentados pelos pilares possamos impulsionar em nosso ser Igreja, um constante e permanente estado de missão, em vista de uma autêntica Igreja em saída.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. Brasília: Edições CNBB, 2019. (Documentos da CNBB, 109).
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Comunidade de comunidades: uma nova paróquia: a conversão pastoral da paróquia. 2. ed. Brasília: Edições CNBB, 2014. (Documentos da CNBB, 100).
Gustavo Cadernal dos Santos
Pe. Rene Antonio Zanandrea