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Apelos à Esperança

Apelos à Esperança

O Papa Francisco tem sido voz forte quando se trata de propagar o amor de Deus e a sua misericórdia ao mundo, não se restringindo aos católicos, mas, para todas as pessoas de boa vontade. Há, em suas próprias posturas, uma aplicação do que o Concílio Vaticano II quer dizer à Igreja: que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração”.[1]

Observando o que se motiva para este ano Jubilar, é notória a presença de uma palavra-chave, norteadora de todas as reflexões eclesiais para o ano: esperança. A motivação “esperançante” do papa, recebe um marco significante quando ele proclama o Ano Santo Jubilar de 2025, para celebrar os 2025 anos do nascimento do nosso Salvador, Jesus Cristo. A motivação se dá desde o tema escolhido pelo Papa Francisco: “Spes non confundit”, extraído da Carta de São Paulo aos Romanos “a esperança não engana” (Rm 5, 5). O convite do Santo Padre é claro: para além de confiar na graça de Deus, somos chamados a reconhecer a Sua presença nos sinais dos tempos que o próprio Deus nos oferece. É, segundo o Concílio Vaticano II, tarefa especial da Igreja, à luz do Evangelho, interpretar tais sinais, gerando assim esperança ao mundo dilacerado pela desesperança.[2]

Ao adentrar na Bula do Jubileu, percebe-se nos números 16 a 24, destaques ao apelos e reflexões sobre a esperança cristã, conectando questões sociais, históricas e espirituais. O texto inicia enfatizando que os bens da terra pertencem a todos e convida os mais favorecidos a agir com generosidade, especialmente diante da fome, vista como uma chaga escandalosa. O Papa renova o apelo para que recursos destinados a armamentos sejam direcionados ao combate à fome e ao desenvolvimento sustentável, eliminando injustiças estruturais que forçam populações a migrarem ou buscarem soluções violentas. Propõe, ainda, que as nações ricas perdoem dívidas impagáveis de países pobres, não como caridade, mas como justiça, destacando também a “dívida ecológica” decorrente da exploração desproporcional dos recursos naturais.

A Bula conecta o Jubileu ao aniversário de 1700 anos do Concílio de Niceia, marco da unidade cristã e da formulação do Credo, que permanece uma profissão central de fé. Ressalta o valor da sinodalidade, onde cada batizado, com seus dons e ministérios, colabora para a evangelização. Niceia também inspira esforços de unidade visível entre cristãos, reforçada pela providência, que em 2025, busca uma data comum para a celebração da Páscoa, o que segue sendo um apelo para superar divisões históricas.

  A esperança, virtude teologal fundamental, orienta a vida cristã, dando sentido à fé e à caridade. São Paulo convida a sermos “alegres na esperança” (Rm 12,12), demonstrando esta alegria em gestos simples e fraternos. O fundamento da esperança está na promessa da vida eterna, assegurada pela ressurreição de Cristo. Essa certeza transforma a perspectiva da morte, permitindo que os cristãos a enfrentem com confiança no amor infinito de Deus.

O Papa inspira o mundo à reflexão acerca da ressurreição como o núcleo da fé cristã, celebrada no Batismo, símbolo de vida nova. A forma octogonal das antigas pias batismais recorda o “oitavo dia”, que transcende o tempo terreno, conduzindo à eternidade. Esse mistério é testemunhado pelos mártires, que, ao entregarem suas vidas por Cristo, tornam-se sinais de esperança e unidade entre diferentes tradições cristãs. A vida eterna é descrita como comunhão plena com Deus, um estado de felicidade que realiza plenamente o ser humano. Diferente de alegrias passageiras, essa felicidade é eterna e enraizada no amor de Deus, que nada pode separar dos que creem em Cristo.

O juízo final é abordado como um momento da verdade diante do amor divino, no qual o critério será o amor praticado, especialmente para com os mais necessitados. A misericórdia divina prevalece sobre o mal, oferecendo purificação e redenção. Por isso, o Jubileu destaca a importância da oração pelos mortos e da indulgência plenária, que manifesta a infinita misericórdia de Deus, permitindo que as consequências do pecado sejam apagadas.

  Neste ano jubilar não haverá, como em outros anos, Portas Santas nas dioceses, mas, somente em Roma. Segundo o Papa Francisco, as Portas Santas durante o Jubileu da Esperança serão os confessionários. Desta forma, o sacramento da Reconciliação é celebrado como um momento privilegiado de experimentar a graça do perdão de Deus, curando feridas espirituais e permitindo uma nova vida. A confissão é essencial para abrir o coração à misericórdia e ao perdão, que transforma o passado e ilumina o futuro. Finalmente, o Papa encoraja a continuidade do trabalho dos Missionários da Misericórdia, cuja missão é levar esperança às periferias geográficas e existenciais, como prisões e hospitais, reafirmando que o Jubileu é um tempo de reconciliação, renovação e esperança.

Em todas essas situações, de esperança ou não, o Papa faz um apelo de que a Igreja possa dizer uma palavra de encorajamento. É preciso, diante dos desafios do mundo atual, libertar em toda a humanidade a energia da esperança. Inúmeras outras posturas tem ressoado com eco em seu pontificado. O diálogo e escuta, a solidariedade, o cuidado com a criação, o compromisso com a justiça, o acolhimento, a oração e a espiritualidade. Todas essas práticas, quando implementadas na vida da Igreja e de suas comunidades, podem criar um ciclo positivo de esperança e transformação. Ele convida o Povo de Deus a ser agente de mudança, para que se cumpra o seu apelo: “não deixemos que nos roubem a esperança!”.[3]

Pe. Ivanir Antonio Rodighero

Pe. Gustavo Borges de Souza

Iara Teresinha Severo dos Santos


[1] Gaudium et Spes, n. 1.

[2] Bula Ano Santo 2025, n. 7.

[3] Evangelli Gaudium, n. 86.