50 ANOS DA EVANGELII NUNCIANDI: ALGUNS ENSINAMENTOS PARA A EVANGELIZAÇÃO
No dia 8 de dezembro de 1975, o papa Paulo VI ofereceu à Igreja um dos documentos mais importantes do período pós-conciliar: a exortação apostólica Evangelii Nuntiandi. Nascida como fruto do Sínodo dos Bispos de 1974, ela se torna uma palavra profética, em meio às mudanças culturais e sociais, recordou com clareza aquilo que constitui a essência da vida eclesial: a missão de anunciar Jesus Cristo. Ao celebrar os 50 anos deste documento, a teologia reconhece-o como uma bússola que continua a iluminar os caminhos da evangelização no mundo atual.
Já em suas primeiras páginas, no número 14, Paulo VI declara que: “evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja”[1], frase que se tornou um marco para a teologia e a pastoral contemporânea, significando que a evangelização é fruto do processo contínuo pelo qual o Evangelho anunciado por Jesus se torna critério universal, isto é, Paulo VI assume a categoria de Evangelização em perspectiva da práxis pastoral, como se lê no número 15: “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma. Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada, comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento novo do amor”[2]
Por este motivo, a Exortação representa um verdadeiro serviço à comunidade cristã e, de modo mais amplo, a toda a humanidade. Nela, a Igreja é convidada a renovar seu empenho em anunciar o Evangelho a partir de si até chegar ao homem e a todas as estruturas da vida de seu tempo numa dinâmica processual de esperança e abertura ao diálogo diante das situações de fechamento ao diferente e polarizações que caracterizam a modernidade.
Ao mesmo tempo, Paulo VI propunha que fossem revistos os métodos, linguagens e meios utilizados pela Igreja, de modo que a mensagem do amor de Deus pudesse realmente alcançar o coração do homem moderno e responder às suas buscas mais profundas[1], ressalta que evangelizar vai muito além da simples transmissão de doutrinas; trata-se de tocar e transformar a vida das pessoas, alcançando seu coração e sua realidade cotidiana. Como ele mesmo afirmou, “Evangelizar significa levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade”, deixando claro que a missão da Igreja é ampla, inclusiva e integral.
A recepção da Evangelii Nuntiandi foi calorosa em seu tempo e serviu de inspiração para importantes documentos da Igreja, como o de Puebla (1979) e o de Aparecida (2007), e para a primeira encíclica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium (2013).
Portanto, ao celebrarmos o jubileu de ouro da exortação da Evangelii Nuntiandi, torna-se evidente como Paulo VI abriu caminhos para a ação evangelizadora num contexto atual. Sua visão aponta para uma Igreja em saída, sempre aberta ao diálogo, mas firme na convicção da novidade transformadora do Evangelho. Este jubileu nos convida a renovar o compromisso de anunciar, com alegria e fidelidade, a presença viva de Cristo no mundo como conclama o próprio Paulo VI: “Para a Igreja, não se trata apenas de pregar o Evangelho, mas de anunciar uma Pessoa viva, que é o centro da história” (EN 22). É justamente essa força, capaz de atravessar meio século, que mantém a Evangelii Nuntiandi como uma bússola segura e inspiradora para a missão evangelizadora da Igreja, para a práxis pastoral e a Teologia deste tempo.
[1] PAULO VI. Evangelii Nuntiandi: sobre a evangelização no mundo contemporâneo. São Paulo: Paulinas, 1998.
[2] Id. p. 15.
[3] SILVA, José Carlos de Oliveira. A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi do Papa Paulo VI: uma análise teológica-pastoral. 2006. 138 f. Dissertação (Mestrado em Teologia) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/13973/13973_5.PDF. Acesso em: 08 set. 2025.
INSTITUTO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS – ITEPA FACULDADES
CURSO DE TEOLOGIA – BACHARELADO
AUTORES: PE. MATEUS DANIELI E JOÃO VICTOR PEREIRA