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Leigos e Leigas: presença ativa na Igreja e no Mundo.

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Leigos e Leigas: presença ativa na Igreja e no Mundo

Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. No contexto do mês vocacional, este domingo é dedicado à vocação aos ministérios leigos a quem manifestamos nossa gratidão pelo empenho e dedicação como lideranças em nossas comunidades.

O Documento de Aparecida, de 2007, retoma a expressão do Documento de Puebla e diz que os leigos “são homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (n.209). Por isso, os leigos são chamados a “participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução” da ação evangelizadora (n.371). São convidados a “ser parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais” (n.213). Disse o Papa Francisco, em 2013, que “cada um dos batizados é um sujeito ativo de evangelização” (EG 120). E o Documento 105 da CNBB, sobre os leigos, fala da necessidade de serem “sujeitos” da “vida eclesial” (n.228), com uma presença viva e ativa na Igreja, atuando concretamente nas comunidades. Por isso, hoje, rezamos por todos os leigos e leigas engajados, atuando como lideranças em nossas comunidades e em toda a Igreja. Que o Espírito do Senhor ilumine a todos na missão de serem “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5,13-14).

Prezados irmãos e irmãs. O Evangelho deste domingo (Lc 13,22-30) apresenta Jesus a caminho de Jerusalém. É sua última viagem missionária. Dirige-se à capital, centro de todos os poderes da Palestina. Nesta viagem, diz o Evangelho que Jesus “atravessava cidades e povoados ensinando” (Lc 13,22). O ensinamento dado na Galileia é também dado aos que o acompanham nesta viagem. Jesus caminhava consciente de que o projeto do Reino de Deus implicava em mudanças profundas no modo de pensar e de agir de todos. E isso provocava reações contrárias e até mesmo perseguições.

Na viagem, alguém perguntou a Jesus: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam? ” (Lc 13,23). Jesus não respondeu diretamente. Para ele, a salvação é fruto de uma opção de cada um. É como passar por uma porta estreita, que requer todo o esforço possível. Por isso, Jesus disse: “Fazei todo o esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). Jesus compara a salvação como estar dentro da casa. Para ele, só é capaz de entrar na casa quem pratica a justiça (Lc 13,27). A “porta estreita” é, portanto, a prática da justiça, caminho de salvação.

Com isso, Jesus mostra que o compromisso com a justiça do Reino de Deus é o caminho da salvação. Para Jesus, o importante não é saber quantos se salvarão. O decisivo é viver sua proposta. Ele mesmo disse: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6b). O apelo de Jesus para entrar pela porta estreita é dirigido a todos (Lc 13,24). A salvação não é algo que se recebe de maneira irresponsável e nem é privilégio de alguns. Não basta ser descendente de Abraão ou simplesmente ter recebido o rito do batismo. A Carta de Tiago diz: “Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1,22). No Evangelho de João o próprio Jesus disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). Entrar pela porta estreita é seguir Jesus (Mt 4,20.22) e aprender a viver como ele viveu (Jo 13,15.34).

No processo formativo dos discípulos, Jesus exorta-os ao esforço e à renúncia como atitudes indispensáveis para a edificação do Reino. Toda formação gera crises. Neste sentido, a Carta aos Hebreus diz: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende. O Senhor corrige a quem ele ama… É para a vossa educação que sofreis e é como filhos que Deus vos trata. Qual é o filho a quem o Pai não corrige? No momento, nenhuma correção parece alegrar, pois causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados” (Hb 12,5-11).

Caros irmãos e irmãs. Que a mensagem da liturgia deste domingo nos ajude a sermos autênticos seguidores de Jesus, colocando-nos a serviço do Reino anunciado por Ele, sempre comprometidos com a Igreja e como igreja inseridos no mundo.

Deus abençoe a todos e bom domingo.

Dom Adimir Antonio Mazali

Bispo Diocesano de Erexim – RS

Erechim, 24 de agosto de 2025