REFLEXÃO SOBRE CAPÍTULO IV DA DILEXI TE
O cuidado com os pobres é um imperativo da fé enraizado na Bíblia e na tradição da Igreja.
Na Exortação Apostólica Dilexi Te, o Papa Leão XIV recorda que a essência do Evangelho é o amor de Deus pelos que sofrem. Longe de serem desmerecedores, os necessitados são os primeiros destinatários da graça. A sua pobreza não os impede de amar; torna-os, na verdade, os mais aptos a compreender o coração “manso e humilde” de Cristo.
A caridade cristã, quando o amor a Deus está presente, transborda em amor efetivo ao próximo desvalido. A partilha dos bens materiais e a esmola, deveres de justiça e misericórdia, tornam-se obras agradáveis a Deus merecedoras da Graça quando nascem de um coração unido a Cristo. “a esmola é um ato exterior da virtude da caridade e, por isso, possui mérito sobrenatural quando praticada por amor a Deus” (St Tomaz) “a mão que distribui deve ser conduzida pelo coração que ama“, (St Agostinho).
Assim, a Divina Providência utiliza a vulnerabilidade de quem sofre como instrumento pelo qual Deus aperfeiçoa a alma daquele que serve, que, quando caminha em socorro ao pobre, está trilhando um caminho de sua própria santificação.
Entretanto a advertência: “Quando, pois, dás esmola, não faças tocar a trombeta … Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa”. As paixões humanas podem nos perder por atitudes de hipocrisia, vaidade, vanglória e ostentação.
Para os cristãos afetados pela miséria que desejam ajudar, mas se sentem incapacitados, o documento oferece um caminho de consolação: o verdadeiro auxílio não se mede por bens materiais, mas pela doação de si e pela união com os últimos.
A Santa Madre Igreja nos oferece um caminho seguro para a prática da caridade através das 14 obras de misericórdia (corporais e espirituais) conforme a tradição católica.
As 7 primeiras focadas nas necessidades físicas do próximo: Dar de comer a quem tem fome; Dar de beber a quem tem sede; Vestir os nus; Dar pousada aos peregrinos; Assistir aos enfermos; Visitar os presos e enterrar os mortos.
As demais baseadas nas necessidades da alma e do espírito: Dar bons conselhos; Ensinar os ignorantes; Corrigir os que erram; Consolar os tristes; Perdoar as injúrias; Sofrer com paciência as fraquezas do próximo e Rogar a Deus por vivos e defuntos.
Desta forma, “os cristãos afetados pela miséria”, que praticam a misericórdia com caridade e compartilham a dor do outro, são chamados a participar da compaixão divina, pois Deus se inclina sobre a miséria humana para socorrê-la, eles estão participando da própria ação de Deus no mundo.
Acadêmico Ernesto Pedro Zanette.