Endereço
Av. Sete de Setembro – 1251, Fátima
CEP 99709-298 | Erechim – RS
Tenda Santuário (7)

Fé, lembranças e acolhimento marcam o dia a dia na Tenda Santuário


Espaço de lembranças religiosas localizado no Santuário Nossa de Fátima também se torna ponto de escuta e encontro para visitantes de diferentes regiões



A Tenda Santuário, junto ao Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Erechim, se tornou um espaço que reúne algo que vai além das lembranças religiosas: reúne acolhimento e histórias de fé de quem passa pelo local. Entre imagens, fitas e terços, o ambiente recebe diariamente visitantes locais, da região e de outros estados, que encontram ali uma forma de prolongar a experiência vivida no santuário. Levar um objeto acaba sendo, muitas vezes, uma maneira de manter por perto aquilo que foi sentido durante a visita, seja para si ou para presentear alguém.

À frente do atendimento está Salete Mignoni, que há quatro anos acompanha esse movimento e descreve o trabalho como uma experiência que vai além da função comercial. Segundo ela, o contato com o público exige escuta e atenção constantes. “As pessoas estão precisando de acolhimento, de amor, de alguém que pare para ouvir o que elas querem dizer”, relata. No dia a dia, ela percebe que muitos visitantes chegam não apenas em busca de uma lembrança, mas também de um espaço onde possam falar, compartilhar vivências e, em alguns casos, aliviar angústias.

A procura pelos itens reflete esse contexto. As imagens de Nossa Senhora de Fátima estão entre as mais buscadas, principalmente por quem vem de fora e deseja levar consigo um símbolo da passagem pelo santuário. “Eles querem algo que diga que estiveram aqui”, explica Salete. Além disso, é comum que as lembranças tenham como destino outras pessoas. “Muitas vezes é para presente, para a família, para amigos”, afirma. Nesse sentido, o objeto carrega não apenas um valor religioso, mas também afetivo.

O contato direto com o público também expõe histórias marcadas por emoção. Segundo Salete, não são raros os momentos em que visitantes se emocionam ao relatar experiências pessoais, como situações de doença, pedidos ou agradecimentos. “Tem pessoas que chegam aqui e as lágrimas caem. Elas têm muita coisa para falar”, conta. Para quem atende, isso exige sensibilidade e cuidado no diálogo, já que cada abordagem carrega um contexto diferente.

O fluxo de visitantes varia ao longo do ano, com aumento nos períodos de férias, quando há presença mais intensa de pessoas de outras regiões do país. Também são frequentes as caravanas, especialmente de grupos de idosos, que incluem o santuário em seus roteiros. Nesses dias, o movimento se intensifica e reforça o caráter do espaço como ponto de encontro de diferentes trajetórias, todas conectadas pela fé.


Além das lembranças religiosas, a tenda também oferece alimentos em dias específicos, como pães, cucas e salgados, acompanhando a dinâmica do santuário. A organização do atendimento se adapta conforme a demanda, especialmente em dias de maior circulação. Ainda assim, segundo Salete, o que marca o cotidiano não é apenas o volume de pessoas, mas o tipo de relação que se estabelece ali. “É uma troca todos os dias”, resume.


Depois de passar décadas fora da região, Salete retornou e encontrou na Tenda Santuário um lugar de identificação. “É onde eu me encontro, onde eu me entrego”, afirma. Para ela, a experiência vai além do trabalho e está ligada ao que o ambiente representa. Nesse cenário, a Tenda Santuário segue como um ponto de passagem para muitos, mas também como um espaço onde histórias são compartilhadas e onde cada lembrança levada carrega um pouco do que foi vivido no santuário.