Paróquia Catedral São José


Pe. Alvise Follador




1. Decreto de criação da Paróquia São José

"Dom Miguel de Lima Valverde por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo de Santa Maria.


Aos que este nosso presente decreto virem, saudação, paz e bênção no Senhor.

 
Fazemos saber que querendo nós remediar as necessidades espirituais dos nossos filhos moradores em Paiol Grande, Curato do Erechim, temos deliberado erigir em Paróquia o aludido território; para este fim, depois de ouvido o parecer do nosso Conselho de Consultores Diocesanos, e o Revmo. Cura do Erechim, preenchidas todas as formalidades de Direito, usando a nossa Jurisdição ordinária e, se preciso for, da que nos é delegada pelo sacrossanto Concílio Tridentino, sessão XXI, havemos por bem separar, dividir e desmembrar do Curato do Erexim o território que em seguida vai indicado e nele pelo presente Decreto erigimos e canonicamente instituímos uma nova Paróquia que se denominará de São José da Boa Vista do Paiol Grande, cuja linha divisória é a seguinte: Partindo da barra do Rio Toldo e subindo por este até o lajeado Rodeio e por este acima à Linha Oito da seção Castilhos até encontrar a Colônia número vinte e quatro e por esta a linha cinco da Seção Ligeiro até encontrar a Colônia número quinze da mesma Linha e por esta ao Rio do Campo, subindo por este até a sua nascente, e daí em linha reta rumo sudoeste até encontrar o Rio Cravo que servirá de divisa até a sua barra no Rio Erechim e por este até encontrar o arroio Guabiroba de cujas nascentes passará em linha reta às do arroio Dourado e por este abaixo até o Rio Uruguai, e por este acima até o rio Paloma, e subindo o Paloma até a foz do Rio Azul o qual servirá de divisa até os limites da seção Paiol Grande, por estes limites até ao lajeado Paca e por este abaixo até o Rio Dourado e pelo Dourado acima ao lajeado Jaguaretê de cujas cabeceiras passará em linha reta ao lajeado Santa Rosa, e por este ao Rio Suzana que servirá de limite até a linha cinco da seção Dourado, por esta irá à estrada de ferro e pela dita Estrada de ferro até encontrar o fundo da linha cinco seção Barro até encontrar o Rio Caçador, e descerá por este até a estrada que vai ao Campo Capoerê, e por esta estrada até encontrar o Rio Ligeiro, descendo pelo mesmo até a barra do Arroio Toldo, ponto de partida. Limitada assim a nova Paróquia, submetemos à jurisdição o cuidado espiritual do Pároco que para ela for nomeado e dos que lhe sucederem no cargo, os habitantes daquele território, aos quais mandamos que tanto para o Revmo. Pároco como para a Fábrica da Igreja, contribuam religiosamente com os emolumentos, oblações e benesses que respectivamente lhes sejam devidos por Estatutos, leis e costumes legítimos nesta nossa Diocese; e ordenamos que a nova Paróquia funcione na capela existente na Vila de Boa Vista do Paiol Grande, a qual gozará por isso de todos os privilégios e insígnias que com direito cabem às igrejas matrizes. Pelo que, concedemos à dita Igreja matriz de São José da Boa Vista do Paiol Grande de pleno direito a faculdade de ter sacrário onde se conserve o Augusto Sacramento da Eucaristia, com o necessário ornato e decência e com lâmpada acesa de dia e de noite, bem como faculdade para ter batistério e pia batismal, livros do tombo e de registro de batizados, casamentos e óbitos, e os outros livros paroquiais e todos demais direitos, honras e distinções de uma igreja paroquial. E considerando as circunstâncias peculiares desta Diocese, de acordo com o cânon 454, § 3º do Código de Direito Canônico, declaramos amovível dita nova Paróquia de São José de Boa Vista do Paiol Grande. Damos, portanto, por erigida e canonicamente instituída nesta nossa Diocese a nova Paróquia acima descrita, a qual terá por titular o glorioso Patriarca São José, cuja festa se deve de celebrar anualmente, de acordo com as prescrições litúrgicas, no dia próprio, com devoção e religioso esplendor. Mandamos que este nosso Decreto seja lido em um domingo ou outro dia santificado, na missa paroquial tanto na matriz de São José de Boa Vista de Paiol Grande, como na de Erechim, do que se passará certidão no verso deste para em todo tempo constar, e será cuidadosamente conservado no arquivo da Paróquia de São José de Boa Vista do Paiol Grande. Seja este nosso Decreto registrado e transcrito nos livros competentes da nossa Câmara Episcopal e registrado também nos livros do tombo das paróquias acima mencionadas.

 
Dado e passado em nossa Câmara Eclesiástica de Santa Maria, sob o sinal e selo das nossas armas, aos 19 de agosto de 1919. 


Eu, o Pe. Armando Teixeira, servindo de secretário o subscrevi. Segue assinatura de Dom Miguel, Bispo de Santa Maria. Registrado à fl 17, L II e transcrito no livro competente."

2. São José padroeiro e protetor

Proclamando alguém santo, a Igreja Católica Romana afirma que, por tudo o que pode constatar da vida do canonizado (colocado no "cânon", lista, no caso, dos santos), ele deve estar na glória de Deus. Ao longo da vida, seguindo Cristo, vivendo com Ele, como Ele e por Ele, se santificou. Ele não ficou santo na proclamação da Igreja. Ele se santificou vivendo na Igreja, na comunidade cristã.

Se santificou, tal pessoa pode ser estímulo para a santificação de todos os que ainda peregrinam na mesma fé. Pode ser um modelo, um protótipo. Claro, o grande e perfeito modelo é Jesus Cristo. Ele é também o único Mediador da salvação. Todos podem se salvar em Cristo, sem o exemplo e o recurso dos santos. Mas eles podem ser valioso auxílio para nós, pelo testemunho de vida e, na comunhão dos santos, pela sua intercessão. Não é comum as pessoas, nas diversas atividades humanas, espelhar-se em outras que nelas se distinguiram?

O santo é, pois, modelo e intercessor. Antes modelo que intercessor. Parece não fazer muito sentido recorrer ao santo sem viver aquilo que o santificou.


Em que São José é nosso modelo e protetor ou intercessor? Ele é nosso modelo naquilo que dele diz o Evangelho: "era um homem justo". Não se registra algo que tenha dito. Mas este silêncio de José fala muito. Após ouvir o anúncio de que o que se passava em Maria era obra do Espírito Santo, "ele fez como o anjo do Senhor lhe ordenara". José não é apenas ator secundário no plano divino da salvação. Ele o assumiu com decisão. Ele é também modelo pelo seu trabalho. Jesus passou a ser reconhecido como o "filho do carpinteiro". Ele é também modelo pela defesa que fez de sua família. A tirania de Herodes queria eliminar-lhe o filho. Ele não hesita em dar-lhe segurança, mesmo que para isto fosse necessário deslocar-se para outra região.

 
Pela tradição, São José morreu com a assistência de Jesus e de Maria. Por isso é tido também como o padroeiro da boa morte. Podemos, pois, interceder junto a São José que nos ajude a sermos justos, a vivermos nossa vocação (o chamado pessoal e intransferível que Deus faz a cada um/a de nós), encontrarmos trabalho e fazermos dele o meio de realização pessoal, de aperfeiçoamento da criação, de promoção do verdadeiro progresso da sociedade, com seus frutos partilhados fraternalmente por todos; sermos protegidos contra os males que ameaçam nossas famílias.


Evidentemente, nós também precisamos imitar São José. Tendo-o como protetor, devemos todos proteger a vida nascente ameaçada pelo aborto e a vida em seu término ameaçada pela eutanásia. Devemos proteger a vida em perigo no dia-a-dia por causa da miséria, da violência, das consequências da economia globalizada enquanto concentra os bens e globaliza a pobreza. Precisamos proteger valores fundamentais, alvo de destruição por práticas aéticas e imorais e campanhas sistemáticas: a honestidade, a transparência, o espírito de solidariedade, a convivência fraterna, a vivência comunitária, a justiça, a veracidade...

3. Dados históricos

Segundo diversas fontes históricas, a região de Erexim foi habitada por tribos indígenas. A partir de 1600, a região foi explorada por bandeirantes paulistas. Depois de 1850, as matas da região foram ponto de chegada de foragidos da justiça e de fugitivos de revoluções. Em 1910, chegou a estrada de ferro ao então Paiol Grande. Foi a partir desta época que se desencadeou a chegada de descendentes de europeus. Quase todos vinham das chamadas "terras velhas" – Caxias do Sul, Bento Gonçalves, São Leopoldo, Caí e respectivas regiões. Em grande parte, era uma segunda migração.


Em 22 de dezembro de 1910, o governo municipal de Passo fundo, pelo decreto nº 167, constituiu a região de Boa Vista do Erexim em Oitavo Distrito daquela comuna. O município de Erexim foi criado pelo decreto 2.342 de 30 de abril de 1918 do Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Antonio Augusto Borges de Medeiros. A instalação do município deu-se em 30 de junho de 1918, numa das salas do Escritório da Comissão de Terras e Colonização de Erexim.

A primeira capela católica (capitel) da localidade foi inaugurada no dia 13 de junho de 1913. Foi construída por iniciativa da benemérita pioneira Elisa Vacchi. Era de madeira e tinha 4 m por 6 m, totalizando 24 m². Estava localizada no início da atual rua Torres Gonçalves. Elisa Vacchi chegara ao então 8º Distrito de Passo Fundo, Paiol Grande, no ano anterior, 1912. O padroeiro (orago) deste primeiro templo católico era Santo Antonio, cuja estampa Dona Elisa Vacchi doou para o capitel que construíra. Mais tarde, o comerciante Modesto Silva doou à pequena igreja uma imagem de São José.


Em 1915, foi construída outra igreja, no local da atual casa paroquial, bem maior, de 12 m por 24 m, tendo, pois, 288m². Em 19 de agosto de 1919, o Bispo de Santa Maria, Dom Miguel de Lima Valverde, criou a paróquia de Erexim, dando-lhe São José como padroeiro. Mais tarde, São José foi oficializado também padroeiro do município de Erexim. Em 1927, foi iniciada a construção da igreja matriz São José, de alvenaria, de 45 m por 20 m - 945 m². A conclusão da obra se deu em 1935. Na moeda da época, custou 690 contos de réis. Em julho de 1969, foi iniciada a construção da atual igreja catedral. Foi inaugurada no dia 15 de maio de 1977. A celebração inaugural foi presidida pelo Arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, e concelebrada por diversos Bispos e numerosos presbíteros. 

 

A Paróquia tem a Matriz São José, 02 capelas urbanas (São Caetano e Espírito Santo) o Santuário N. Sra. de Fátima, a capela das Irmãs da Sagrada Família e 14 capelas rurais (N. Sra. de Fátima, N. Sra. de Lourdes, N. Sra. do Rosário, Santa Lúcia, São Roque, Santo Antônio, São Pedro, São Luiz, São Paulo, São Francisco, Santo Isidoro, Cristo Rei, São Brás, São Valentim).


Dom Miguel havia visitado a região em 1913. Foi o primeiro Bispo a passar por aqui. Ao visitar a pequenina igreja de Santo Antonio disse: "O estábulo de Belém era pequeno e a capela que ora visito é menor ainda; mas tenho certeza de que desta capelinha surgirá um dia uma grande matriz." Pouco tempo depois, enviou carta nomeando uma comissão para a construção de uma igreja maior, com capacidade para acolher a população que ia crescendo sempre mais.

Em 1926 ou 1927, visitou Erexim o sucessor de Dom Miguel em Santa Maria, Dom Ático Eusébio da Rocha, quando fez também a sua "profecia": "Boa Vista, terra de venturas! Estou vendo o teu futuro, grande cidade, importante bispado!".


Erexim já tem não uma, mas várias igrejas grandes (incluído o Santuário). O crescimento da cidade faz prever novas construções. O importante não são os templos, mas as comunidades, verdadeira razão da existência deles. Erexim já é igualmente sede de bispado.

4. Párocos da Paróquia São José

- Pe. Vicente Testani, de 1919 a 1920;
- 08 de abril a 30 de agosto de 1920, interinamente, dois padres barnabitas - Luiz Balzarotti e Francisco Richard - atenderam a Paróquia;
- de 1º de setembro de 1920 a 21 de fevereiro de 1922, atenderam a Paróquia os freis franciscanos da Paróquia de Barro, hoje Gaurama: Justino Girardi, Humberto Zanella, Fidelis Kamp, Gentil Modestino, Pancrácio;
- Pe. Carlos Schwergschlager, de 21/02/1922 a 08/5/1926; Pe. Benjamim Busatto já era vigário paroquial e ficou administrador da Paróquia por um mês e meio, na saída do Pe. Carlos;
- Pe. Vicente Testani, de 29/6 a 26/12/1926;
- Pe. Benjamim Busatto, de 26/12/1926 a 1949;
- Cônego Gregório Comassetto, de 25/5/1950 a 06/01/1959;
- Mons. Fioravante Magrin, de 06/01/1959 a 13/5/1962;
- Pe. Tarcísio Utzig, de 13/5/1962 a 12/02/1967;
- Pe. Atalibo Lise, de 13/02/1967 a 03/01/1987;
- Pe. Girônimo Zanandréa, Bispo Emérito, desde agosto de 2012;
- Pe. Atalibo Lise, de 02/01/1988 a 20/01/1990;
- Pe. Luiz Warken, 20/01/1990 a 31/01/1998;
- Pe. Antonio Valentini Neto, 31/01/1998 a 21/01/2012;
- Pe. Alvise Follador, 29/01/2012... 


5. Padres vigários paroquiais

Francisco Osmari, Pio Busanello, Egídio Marin, Estanislau Pollon, Ludovico Redin, Albino Busatto, Lino Longo, Vitório Serraglio, Amélio Caovilla, Santo Guerra, Alcides Ferreira Leite, Juliano Noal, João Blaszczak, Lido Liberalli, Luiz Antonio Busanello, João Gheno, Geraldo Moro, Antonio Tamagno, Eolino Bortolanza, Milton Mattia, Aquiles Jacob Klein, Antonio Divino Serraglio, Antonio Valentini Neto, Valdecir Rovani, Ivo Moehlecke, Girônimo Zanandréa, Avelino Backes, Valter Girelli, Valdemar Zapelini, Olírio Streher, Moacir Stieve, Gabriel Zucco, Jorge Elias Dall'Agnol, Lecir Barbacovi, Alvise Follador, Maximino Tiburski, Carlos Zorzi, Agostinho Dors, Valtuir Bolzan, Dirceu Dalla Rosa, José Carlos Sala, Claudino Talaska, João Dirceu Nardino,  Everton Luís Sommer.
Paulo Cezar Bernardi, Cleberton Piotrowski, Anderson Faenello, André Ricardo Lopes.

 


6. A Catedral

Quando é criada uma Diocese, a igreja mais antiga da sede diocesana passa a ser a catedral. Vem de “cathedra”, palavra latina que significa cadeira de quem ensina ou da qual alguém ensina ou cargo de professor de ensino superior. No caso, a referida igreja se torna catedral porque nela fica a “cadeira” que simboliza a autoridade do bispo como doutor, profeta e liturgo e da qual ele preside a assembléia litúrgica e a comunhão na caridade. Na catedral, o bispo tem a sua cátedra de magistério e de governo pastoral da Diocese. 


A construção da catedral de Erexim foi iniciada em julho de 1969 e inaugurada em 15/5/1977. A parte térrea foi inaugurada no dia 6 de junho de 1970 e passou a ser o local das celebrações litúrgicas, que, desde o início das obras, eram realizadas na capela do Colégio São José. Pe. O projeto foi do Dr. Plínio Totta, de Porto Alegre, RS. O engenheiro foi Dr. Almiro Badalotti, de Erexim. O idealizador e executor dos painéis murais foi Dr. Arystarch Kaszkurewicz. O desenho dos vitrais foi do Pe. Ary Nicodemos Trentin, de Caxias do Sul. O pároco que acompanhou a construção do início ao fim foi o Pe. Atalibo Maurício Lise. Integraram a comissão de obras e/ou a Diretoria (Conselho Econômico): Célio Bigolin, Hermes Bernardi, Lindomir Michelin, Edson Xavier, Orélio Pecin, Olmiro Zanardo, Luiz Frizzo, Fernando Sefrin Filho, Domingos Rosset, Marcelo Palma, Osmar Pedrollo, Elírio Toldo, Francisco Schmidt, Belmiro Zaffari, Carlos Gomes, Gilson Fehlauer, Anor Fontana, Tobias Pereira Sobrinho e outros. O custo total, na época, foi de Cr$ 3.000.000,00 (três milhões de Cruzeiros).

Pe. Atalibo Lise nasceu no dia 10/6/1927, na comunidade Na. Sra. de Lurdes, Km 10-Dourado. Foi ordenado presbítero no dia 08/12/1956. Trabalhou no Seminário (1957, ecônomo), em Liberato Salzano, São Valentim, Vila Maria, Viadutos, Gaurama, Campinas do Sul, Erexim (Catedral, Paróquia São Cristóvão e Paróquia São Pedro). Coordenou a Comissão Pró-Diocese. Pe. Lise descobriu o grande artista polonês Arystarch Kaskurewicz (* 12/02/1912, Polônia, + 08/4/1989, São Bernardo do Campo, SP). Em conseqüência de explosivo durante a guerra, era cego de um olho e não possuía os dedos das mãos e assim mesmo fez os maravilhosos painéis decorativos da Catedral na arte do sgrafito – baixo relevo. O projeto de uma nova igreja é anterior ao Pe. Lise. Seu antecessor, Pe. Tarcísio Utzig, no último registro de 1965 no livro “Tombo” anotou: “Foi apresentado ao Bispo um estudo sobre a nova igreja matriz. Em princípio foi dado parecer favorável à idéia de fazer a igreja na esquina ocupando o terreno hoje tomado pela canônica. A igreja de acordo com essa idéia terá a forma de um leque, estreita na entrada e larga na frente...” Em 25 de julho de 1966, registrou: “O pároco foi a Porto Alegre para tratar das plantas da nova matriz”. Pe. Lise também registra, em 06 de janeiro de 1968, que, ao chegar à paróquia, encontrou carta de Dom Cláudio, datada de 1965, autorizando “o Pe. Tarcisio Utzig a construir uma nova igreja matriz no local da antiga”.

Arystarch Kaszkurewicz formou-se em direito, em 1936. Como advogado, fez o Curso de Belas Artes. Durante a II Guerra Mundial, em conseqüência da explosão de uma granada, perdeu as mãos e uma das vistas. Veio ao Brasil em 1952, fixando-se em São Bernardo do Campo, SP, passando a dedicar-se à arte sacra, notadamente à arte dos mosaicos e vitrais. Sua esposa Ludmila, o acompanhava sempre nos trabalhos. Seu único filho, Eugenius, reside no Rio de Janeiro, onde é professor universitário. Entre suas obras, está a decoração de igrejas de Campinas, Jundiaí, Americana, Limeira, Santo André, no Estado de São Paulo; Cuiabá, MT; Fortaleza, CE; Brasília; Montevidéu, Uruguai; Dom Feliciano, Catedral de Erexim e a de Passo Fundo, no RS. Faleceu no dia 08/4/1989.

7. Os painéis murais da Catedral

São três painéis maiores, 14 quadros grandes da Via-Sacra e símbolos menores em baixo-relevo (esgrafito).

- Santa Ceia: No centro, acima do Sacrário, com 8 m de altura e 15,95 m de largura. Para identificar o traidor de Cristo, deixou Judas sem auréola. Na mesa da Ceia, estão os dois peixes e a cestinha comos cinco pães do milagre da multiplicação dos pães. Ao representar a última Ceia, com a instituição da Eucaristia, o artista visibiliza o milagre que a prefigurava. À direita e à esquerda do quadro da Ceia está uma faixa com símbolos de trigo e uva, dos quais provêm o pão e o vinho para a Eucaristia. Sob a sigla JHS (em latim: Iesus Hominum Salvator – Jesus Salvador dos homens), acima do Sacrário, discretamente, o artista deixou a marca de sua etnia, a águia polonesa.

- Batismo do Senhor: Na frente, à esquerda de quem entra na igreja, com 8, 65 m de altura e de 3, 66 m largura. Jesus nas águas do Jordão sendo batizado por João Batista tem acima a pomba que representa o Espírito Santo, a “mão” do Pai, no triângulo da Trindade. Pode-se observar o Jesus Batismo demonstra ter menos idade (três anos) do que o Jesus da Paixão. À esquerda de quem olha o painel, estão os símbolos dos Sacramentos, nesta ordem, de cima para baixo: batismo, crisma, eucaristia, penitência, unção dos enfermos, ordem e matrimônio. À direita, símbolos das virtudes teologais – fé, esperança e caridade – e das virtudes cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança.

- Via-Sacra: De 3,57 m altura e de 2 m largura. Apenas o 8° quadro, encontro com as mulheres, tem três figuras. Os outros, apenas uma ou duas. No primeiro painel, a condenação de Jesus à morte, estão representados regimes ditatoriais e opressores diversos. 

- Ressurreição: De 8,65 m altura e 3,76 m de largura. Apresenta o anjo junto ao túmulo e Jesus Ressuscitado acima dele. A figura do Ressuscitado é ladeada por uma via-sacra em miniatura, começando à esquerda de quem olha, de cima para baixo. Consta apenas da cruz e algum símbolo. A posição da cruz ou o sinal que a acompanha indica a que quadro corresponde. O primeiro quadro é um machadinho. Simboliza a decretação da sentença de morte de Jesus pela autoridade. O lírio junto à cruz: encontro com a mãe; a mão na cruz: Simão que ajuda Cristo a carregá-la; o rosto no pano: o encontro com Verônica; os dois lírios: as mulheres... Cada quadro é rodeado pela coroa de espinhos. Esta via-sacra, por sua vez, é também ladeada de símbolos de trigo, de uva, do monograma de Cristo encimado pela coroa (a vitória do Ressuscitado).

- Quadros dos evangelistas: A iconografia cristã (representação por imagens) atribui um símbolo a cada um dos quatro evangelistas. Esta atribuição é feita a partir dos textos de Ezequiel 1, 1-4 e 10, 14 e de Apocalipse 4, 6-7, que falam de quatro seres vivos com aparência de touro, leão, ser humano e águia. O primeiro a relacionar os evangelistas com estes seres foi Santo Ireneu (+ 203). Depois foi Santo Agostinho (+430). No peitoril do mezanino (“coro”), estão estes símbolos dos quatro evangelistas.

No leão (primeiro à esquerda de quem olha para o mezanino) está simbolizado o evangelista São Marcos, porque no início de sua narração do Evangelho diz que João Batista apareceu no deserto, onde mora a fera (Mc 1,4). O leão simboliza o poder e o vigor. Marcos escreveu o Evangelho para os cristãos vindos do paganismo e do judaísmo, ressaltando que Jesus é o Filho de Deus.

Na figura do ser com rosto de homem está representado São Mateus, porque começou o Evangelho com a genealogia de Jesus (Mt 1, 1-14). O ser humano representa a amabilidade e a compreensão. Mateus escreveu para os convertidos à fé cristã oriundos do judaísmo, ressaltando que Jesus Cristo é o Messias por eles esperado.

Na águia está simbolizado São João por causa de seu estilo elevado de escrever o Evangelho (Jo 1, 1-18). A águia é símbolo de seres celestiais, pela beleza de seu vôo e pela altitude inatingível onde constrói seu ninho. Ele escreveu o Evangelho para as comunidades da Ásia Menor, combatendo certas heresias, como a dos gnósticos.

No touro está simbolizado o evangelista Lucas porque começou o Evangelho falando do Templo, onde eram imolados os bois (Lc 1, 5-25). O touro é símbolo da força. Lucas escreveu o Evangelho para as comunidades constituídas entre os gentios, os que não eram da descendência de Abraão. Ressalta a misericórdia divina.

- Tiara papal: No centro do peitoril do mezanino, no meio dos quatro símbolos dos evangelistas, está a tiara papal, a mitra do Papa (“Barrete alto e cônico, fendido lateralmente na parte superior e com duas faixas que caem sobre as espáduas”). Representa a dignidade do Papa, com seus títulos principais: Pastor da Igreja Católica (princípio visível e fundamento da unidade de fé e da comunhão, Sucessor de São Pedro), Bispo de Roma, Autoridade civil do minúsculo Estado do Vaticano. Pode-se ver nela também o tríplice múnus de Profeta, Sacerdote e Pastor do Papa na Igreja.

- É uma espécie de sigla ou abreviatura de Cristo em grego. XP correspondem ao C e ao R em português. São as duas primeiras letras de CRISTÓS, em grego. É o monograma de Cristo.

“Capelinha”: Ao lado das portas centrais de entrada na Catedral, há um oratório, já popularmente conhecido como “capelinha”, intensamente frequentada pelos fiéis da cidade e da região. Ela foi incluída no projeto arquitetônico da Catedral como local de oração ao longo do dia e para a missa diária durante a semana. Há diversos anos, ela já não comporta o número de pessoas que normalmente participa da missa de segunda a sexta-feira. Por isso, a missa diária é feita no recinto da Catedral. Também, com o auxílio de voluntários, a Catedral também fica aberta à visitação pública na maior parte do tempo.

Ossuários: Na parede entre o fundo da Catedral e a casa paroquial, há galerias com ossuários para a colocação de restos mortais. São pequenas gavetas, de 70 por 40 centímetros, para as quais paroquianos e outros interessados podem transladar os restos mortais de seus falecidos, depois de, no mínimo cinco anos na sepultura. O lugar é resguardado e seguro. Cada ossuário pode ser adquirido em definitivo pelo interessado. No momento (agosto de 2015), o preço é R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Para facilitar o sepultamento e o posterior translado dos restos mortais para estes ossuários, a Catedral tem um comodato com a Prefeitura Municipal de Erexim, pelo qual administra determinado número de gavetas na Necrópole Municipal Pio XII. No falecimento, a família pode alugar a gaveta e adquirir o ossuário ou fazer a aquisição posteriormente.