Notícias da Assembleia da CNBB- sexto dia

Data:   17-04-2018



Notícias da Assembleia da CNBB- sexto dia

Bispos falam sobre os desafios da Igreja no Oiapoque (AP) e no Chuí (RS)

Os desafios da Igreja nas regiões mais extremas do País foi o terceiro Meeting Point da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Para falar sobre o assunto foram convidados dom Pedro José Conti, bispo de Macapá (AP), e dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS).

Macapá – Dom Pedro falou sobre a realidade do Oiapoque, município do extremo norte do Brasil, na divisa com a Guiana Francesa. O primeiro grande desafio para a ação pastoral na região é a distância. Há 600km de Macapá, cerca de 100km da estrada não é pavimentada, dificultando o acesso de carro sobretudo no período de chuvas. Na fronteira entre os dois países, existe uma ponte. No entanto, o acesso dos brasileiros para o país vizinho é restrito, uma vez que se trata de território europeu.

Os problemas elencados pelo bispo, estão os garimpos, muitos dos quais clandestinos, e todo o impacto socioambiental decorrente. Dom Pedro também chamou a atenção para o desafio do tráfico humano, tema que foi destaque na Campanha da Fraternidade de 2014, e a prostituição de mulheres e menores de idade.

“Por mais que tenham se intensificado as pesquisas sobre essa questão, é muito difícil entender o que acontece e, sobretudo como acontece o tráfico humano. Por isso, acaba sendo muito difícil intervir”, afirmou dom Pedro.

Segundo o bispo, a amplitude da fronteira dificulta o controle do tráfico. “É só pegar um barquinho em uma hora estratégica e dá para chegar na Guiana Francesa e, por caminhos, é mais fácil chegar em Suriname”, disse.

Desde 2015, existe uma inciativa de um sacerdote do Pontifício Instituto das Missões Exteriores no Brasil (PIME) desenvolveu um trabalho chamado “Missão nas Fronteiras” realizado por um grupo de voluntários leigos e religiosas que se empenham na prevenção, oferecendo para as adolescentes atividades como crochê, pintura e artesanato, podendo ser até fonte de renda.

O trabalho junto aos povos indígenas também é prioridade pastoral na região do Oiapoque, com destaque para os missionários do Verbo Divino (verbitas). “Hoje nós trabalhamos mais na linha de promover os povos indígenas para que eles mesmos sejam agentes e pastoral. Eles mesmos têm que ser os protagonistas da sua própria evangelização”, afirmou dom Pedro.

A pastoral pode contar com poucas pessoas, pelo fato de a cidade de fronteira ter uma grande mobilidade. “Sentimos falta de agentes de pastoral qualificados. Sinto que, como diocese, precisamos estar mais próximos em todos os sentidos, mas, devido à distância, dificuldades de transporte e mesmo o custo dessa pastoral, não é fácil.

Rio Grande – Ao falar sobre a realidade do município do Chuí, no extremo sul do País, dom Ricardo chamou a atenção para o fato de essa ser a cidade com o maior índice de pessoas que se declaram sem religião no censo do IBGE de 2010, ou seja, 54% da população, enquanto apenas 26% são católicos.

“Em primeiro lugar, precisamos ir ao encontro desses católicos que não sabemos onde estão e, por pouca presença nossa, acabaram se afastando. Como nosso clero não é tão grande, pedimos ajuda a outras diocese e a Diocese de Ponta Grossa ofereceu um sacerdote para fazer uma missão no Chuí. Também contamos com o apoio das irmãs carlistas”, relatou o bispo.

Nesse sentido, o desafio atual da Diocese de Rio grande é fazer um processo de evangelização com um projeto de iniciação cristã e da recuperação dos católicos. “Vamos atuar primeiro com os nossos, e depois vamos expandir para um bom diálogo inter-religioso e ecumênico”, disse dom Ricardo.

O próximo Meeting Point acontece nesta terça-feira, às 9h, com Dom Mário Antônio, bispo de Boa Vista (RR), sobre a atuação da Igreja no Brasil sobre a situação dos imigrantes venezuelanos.

Fonte: CNBB

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Bispos preparam material para Semana Missionária do Ano do Laicato

Durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB, a Comissão para o Ano do Laicato, está promovendo gravações com um grupo de bispos para a animação da Semana Missionária do Ano do Laicato que será realizada 22 a 28 de julho nas comunidades, paróquias e dioceses de todo o Brasil. Os vídeos serão acompanhados de uma grande campanha de divulgação que vai contar com spots de rádio e iniciativas em redes sociais.

O conteúdo a ser refletido na Semana Missionária do Ano do Laicato encontra-se em subsídio preparado pela Comissão e disponível nas Edições CNBB (www.edicoescnbb.com.br).

Semana Missionária

Dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, na apresentação do subsídio diz que com a Semana Missionária “Precisamos levar através de nosso testemunho de fé e testemunho cristão, em outros ambientes em que as pessoas não conhecem o Evangelho. Temos ambientes importantes como família, o mundo do trabalho, da política, dos meios de comunicação, da cultura, da educação e a nossa ‘Casa comum“.

E sugere: “Precisamos tomar inciativas, arregaçar as mangas, pés no caminho e coração generoso para acolher as pessoas sem distinção e  sem discriminação. Todos são filhos e filhas de Deus. Temos que partir ao encontro do ser humano que carrega dentro de si um sonho de ser reconhecido, amado, acolhido e recolhido no âmago de uma comunidade acolhedora. Os cristãos e cristãs devem revelar o amor fraterno enxugando lágrimas provocadas pela exclusão, abandono e sem oportunidade para conhecer Jesus Cristo. Ele dá novo sentido à vida“.

Preparação remota

A Comissão apresenta pistas de trabalho que já podem ser realizadas neste momento tendo em vista a realização da semana, em julho. Entre as quinze principais sugestões apresentadas no subsídio, pode se destacar três: “1) É importante é começar as visitas. Elas são uma maneira bonita e eficaz para criar relações fraternas, solidárias, para tirar as pessoas do anonimato. Movidas pela força do amor, elas fazem bem tanto aos que visitam como aos que são visitados; 2) Não esquecer: o objetivo principal é fazer crescer a beleza e a atração do seguimento de Jesus de Nazaré, Mestre e Senhor; 3) Envolver todas as forças vivas da paróquia ou da área escolhida, onde irá acontecer a Semana Missionária“.

As gravações na 56ª AG

Os bispos escalados para gravar os vídeos de animação da Semana Missionária obedecem a escala temática do evento que será desenvolvida da seguinte maneira: A vida é missão; Uma sede imensa de felicidade! Convocados a fazer parte do ‘povo das bem-aventuranças'”; Indignação é preciso; Sal da terra e luz do mundo; Recomendações de Jesus aos missionários; “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”; “Não tenhais medo, o crucificado, ressuscitou!”.

Nesses encontros, durante a Semana Missionária, os temas também acompanharão a reflexão: família e mundo do trabalho; política e políticas públicas; educação e comunicação; Casa Comum (meio ambiente) e Culturas (povos de tradicionais, realidade urbana, consumismo); superação das violências e cultura da paz.

Fonte: CNBB

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A 56ª AG inaugura novas modalidades de interação e marca presença nas redes sociais

Um levantamento organizado pela Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) demonstra um crescimento de acesso aos conteúdos, durante a primeira semana, produzidos na 56ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Aparecida (SP), de 11 a 20 de abril, por meio de sua atuação nas principais redes sociais.

Segundo padre Rafael Vieira, assessor de imprensa da CNBB, ‘o trabalho de cobertura jornalística deste ano tem um significado novo e promissor. “Estamos trabalhando como CNBB considerando a existência e o trabalho dos regionais e não somente a equipe de profissionais da Matriz. Penso que esse é uma grande notícia para o nosso sonho de comunicação integrada da CNBB”, disse.

Redes Sociais – No perfil da CNBB no Facebook, entre os dias 07 e 14 de abril, foram registradas 761 novas curtidas na página, um crescimento de 0,30%. Foram registradas 357,3 mil visualizações nas publicações, uma média de 51 mil por dia. Cerca de 253 mil pessoas foram alcançadas, numa média de 36 mil por dia.

A primeira Live realizada em uma Assembleia Geral da CNBB com dom Sergio de Deus, bispo auxiliar de São Paulo, no último sábado 14 de abril, sobre o retiro dos bispos, que aconteceu no fim de semana, alcançou 15.010 pessoas,  5.079 visualizações nos vídeos, com 294 reações na publicação da página (641 somando as reações em todos os compartilhamentos) e 109 compartilhamentos.

No Twitter, as atualizações sobre a 56ª Assembleia Geral tiveram início no sábado, dia 7 de abril. Até esta segunda-feira, 16, foram 20 postagens que atingiram a marca de 85 mil visualizações (ou impressões), um aumento de 338,1%. Número que também chama a atenção foi o de visitas ao perfil da CNBB, que chegaram 10,2 mil.

Entre os dias 07 e 13 de abril a página da CNBB no Twitter atingiu cerca de 74 mil impressões, uma média de 10 mil por dia. Foram 2.242 interações nos tweets e 225 novos seguidores, o que dá uma média de crescimento de 0,28%. No dia 7 de abril eram 79.901, enquanto hoje chegaram aos 80.088 seguidores.

O twitter com mais visualização foi o do primeiro dia, que anunciava a Assembleia. Foram 10.707 visualizações e 652 engajamentos. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são os Estados que as postagens do Twittwer mais atingiram, com 24%, 13% e 10% respectivamente.

No Instagram foram registradas, no mesmo período, 2135 curtidas nas nossas publicações e 7.054 visualizações nos nossos “stories” (uma média de mil por dia).

Portal – O portal da CNBB, que pode ser acessado no www.cnbb.org.br, também é possível perceber algumas curiosidades. O pico dos acessos deu-se no dia 10 de abril, véspera da 56ª AG, com cerca de 21 mil páginas vistas e 8.850 visitas. Por outro lado, no fim de semana, quando aconteceu o retiro dos bispos, e as atividades ficaram mais restritas, o número de acessos caiu 1.182 visitas.

“Terminamos a semana muito agradecidos. O trabalho cotidiano é pesado, alguns dias ultrapassamos a marca de 12 horas. O cansaço, no entanto, não tira a boa vontade e o capricho da equipe em produzir conteúdos de qualidade, bem apurados. Eu me alegro muito de ter a chance de servir a Igreja, trabalhando para a Conferência, na companhia de pessoas tão boas e competentes. Que venha uma segunda semana de muita luz”, avalia padre Rafael.

Fonte: CNBB

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Rede Católica de Rádio participa da estratégia de comunicação da cobertura da 56ª AG

A Rede Católica de Rádio (RCR), em parceria com a Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está fazendo a cobertura jornalística da 56ª Assembleia Geral para as rádios de inspiração católica de todo o país. De acordo com Alessandro de Mello Gomes, da RCR Espírito Santo, o intuito dessa parceria é a integração das emissoras de rádio com informações da Assembleia Geral e fortalecer a Igreja no Brasil por meio da comunhão entre emissoras que trabalham de forma colaborativa utilizando da força do rádio.

“São 230 emissoras de rádio no Brasil integradas na RCR e 56 retransmitem o jornal ‘Brasil Hoje’ que vai ao ar de segunda a sexta-feira com as principais notícias da Igreja, do Brasil e do mundo” relatou Alessandro. O radialista disse ainda que “a 56ª Assembleia Geral da CNBB está indo ao ar todos os dias através das produções jornalísticas da Rede Católica de Rádio, levando aos ouvintes as principais atividades dos bispos e assuntos refletidos durante o evento”.

História – Fundada em 1994, a RCR é uma associação de emissoras vinculadas a organismos da Igreja Católica e emissoras leigas de inspiração cristã, que prestam serviços às comunidades, paróquias e dioceses em suas regiões. Na atualidade a RCR tem como bases geradoras de notícias a Rede Aparecida (SP), Rede Canção Nova (SP), Rede Milícia Sat (SP), Tua Rádio (RS), Rede Scalabriniana (RS), Rede Evangelizar é Preciso (PR) e RCR Espírito Santo (ES).

O conteúdo da 56ª Assembleia Geral da CNBB está sendo transmitido através de programas como: Jornal Brasil Hoje, Plantão RCR, Igreja no Rádio, Palavra da CNBB, entre outros, a partir das diferentes regiões do Brasil.

Fonte: CNBB

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6º dia da Assembleia Geral da CNBB: Dom Vital e a violência no Brasil

Durante os trabalhos nesta semana que está apenas iniciando serão escolhidos os bispos, titulares e suplentes, que representarão o episcopado brasileiro na Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos em outubro no Vaticano.

Depois da pausa neste final de semana dos trabalhos da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para o retiro espiritual pregado pelo bispo emérito de Marajó, Dom José Luís Azcona, os mais de 300 bispos de todo o país, reunidos em Aparecida (SP) retomaram nesta manhã de segunda suas atividades.

O dia como de costume teve início com a Santa Missa na Basílica Nacional, com a participação de muitos romeiros. A celebração foi presidida por Dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC). Participaram da procisão de entrada os Bispos da Comissão do Ano do Laicato.

Durante os trabalhos nesta semana que está apenas iniciando serão escolhidos os bispos, titulares e suplentes, que representarão o episcopado brasileiro na Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos que se realiza entre os dias 3 e 28 de outubro deste ano no Vaticano, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O processo da escolha será feito por meio de eleições cujos eleitores são os bispos membros da CNBB presentes no auditório do Centro de Eventos padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Para auxiliar o processo de escolha dos 4 titulares e 2 suplentes para a Assembleia Geral dos Sínodo dos Bispos foi elaborado uma ‘Manual de Votação’ que possui as indicações para as votações e apresentação dos candidatos. De acordo com o manual, todos os bispos membros da CNBB, presentes ou ausentes na 56ª Assembleia Geral, podem ser candidatos. “A apresentação dos candidatos pode ser feita livremente, num clima de liberdade com responsabilidade, transparência e responsabilidade”, consta o manual.

Sistema de Votação

Já foram instaladas no Auditório do Centro de Eventos 8 urnas eletrônicas com um sistema desenvolvido pelo Departamento de Tecnologia da Informação da CNBB idealizado em uma plataforma digital conectada a um servidor de banco de dados. O sistema, organizado pelo setor de Tecnologia de Informação da CNBB, foi testado e aprovado pelo Conselho Permanente da CNBB. Durante a votação, cada urna eletrônica será identificada e terá como responsáveis um presidente e um secretário para garantir o sigilo e a privacidade dos eleitores.

Segundo o Manual de Votação, a eleição será secreta e os titulares e suplentes serão eleitos um a um. “Será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos dos presentes, no primeiro ou no segundo escrutínio. Após dois escrutínios ineficazes, sem que alguém obtenha a maioria absoluta requerida, será realizada a terceira votação entre os dois candidatos mais votados no segundo escrutínio”, descreve.

Os resultados, após a análise e aprovação da Comissão de Escrutínios, presidida pelo bispo de Nazaré (PE), Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, será apresentado para o presidente da CNBB para anúncio em plenário. Os nomes dos eleitos só poderão tornar-se de domínio público após a ratificação da eleição por parte do Papa Francisco.

Violência em Belém

Diante dos recentes casos de violência, como a morte de 21 presos em Belém (PA), Dom Vital Corbelini, bispo de Marabá (PA) tem defendido que a Igreja não pode cruzar os braços. Segundo o religioso a violência tem aumentado no estado e isto acende uma luz de alerta. Além dos presos, o bispo denuncia que tem aumentado a violência contra pessoas simples, pobres, camponeses e de policiais militares no estado. O bispo atribui a desigualdade e a concentração de renda e da terra o avanço da violência na região.

“A violência está atingindo as nossas vidas, nossos ideais e projetos, sobretudo dos mais jovens que estão tendo suas vidas ceifadas”, disse. O prelado defende que a Igreja, neste contexto, tem o papel de cultivar uma cultura de paz e anunciar a civilização do amor como preconizou o papa Paulo VI. “A civilização do amor deve ser implantada entre nós. Jesus Cristo nos diz que devemos amar os inimigos e rezar por aqueles que nos perseguem”, disse.

O religioso tem defendido que é necessário que as autoridades façam seu trabalho no sentido de fazer cessar a violência com atitudes que favoreçam a paz na sociedade. Ele exorta que o povo não busque fazer justiça com as próprias mãos porque violência gera violência. A convocação, segundo o religioso, vem da própria Igreja no Brasil que em sua última campanha da fraternidade, realizada no período da quaresma deste ano, buscou apontar caminhos para a superação da violência.

O prelado falou também da necessidade de não estimular a violência pelas redes sociais e que a paz deve ser buscada dentro das famílias e também a partir das comunidades cristãs e católicas.

Fonte: Vatican News

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O Ano do Laicato na Assembleia Geral em Aparecida

Sobre o tema e o lema do Ano a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina, apontou como eixo central deste ano o chamado do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’.

Os leigos são os sujeitos e protagonistas do Ano do Laicato da Igreja Católicia no Brasil. Fazer com que os cristãos assumam de fato seus papéis de cristãos onde estão, na família, no trabalho, na comunicação, na educação, nas universidades, no poder público e na política, é o objetivo deste Ano, uma iniciativa da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB.

Com o tema “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e com o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo”, o Ano foi pautado nos documentos 100 — sobre as comunidades —, 107 — sobre a iniciação da vida cristã – e 105 — sobre os leigos – da CNBB, sendo este último o de maior destaque.

“Atemo-nos bastante ao documento 105 da CNBB sobre os cristãos leigos e leigas na sociedade. (…) Enfatizamos a questão dos leigos como sujeitos e protagonistas seja na Igreja e na sociedade para que não sejam uma Igreja trancada em si, nos templos, mas sim uma Igreja que sai dos templos para iluminar e ser sal no mundo, como diz o próprio texto bíblico ‘sal da terra e luz do mundo’. É preciso brilhar mais, é preciso dar gosto ao mundo, é preciso levar a luz do evangelho onde os cristãos estão”, afirmou o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, Dom Frei Severino Clasen, bispo da diocese de Caçador (SC).

Ainda sobre tema e o lema, a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina, apontou como eixo central deste ano o chamado do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’. “O tema quer nos chamar para isso – ‘Cristãos leigos e leigas para uma Igreja em saída, a serviço do reino’ – por uma perspectiva como sal da terra, luz do mundo, fermento na massa, para infundir uma inspiração de fé e de amor nos ambientes e nas realidades que os leigos e as leigas vivem”, afirmou.

Sobre o objetivo do Ano do Laicato, que seguirá até o dia 25 de novembro de 2018, Dom Severino enumerou três pontos: celebrar a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão, e incentivar o testemunho de Jesus Cristo e Seu Reino na sociedade. “Já pensou se nós conseguirmos fazer isso acontecer na sociedade? Teremos um novo mundo, um novo gosto de se viver, um novo brilho, porque o evangelho será vivido no coração de todos os batizados”, comentou.

Desafios entre clero e laicato

“O maior desafio entre os sacerdotes e os leigos é entender que os sacerdotes têm uma missão e que os leigos têm as deles. (…) Não existem categorias superiores ou inferiores de cristãos – ‘o clero é superior e os leigos inferiores’, não existe isso”, afirmou Dom Severino.

O bispo enfatizou que é preciso superar a mentalidade de que “o padre está mais perto de Deus”, conceito de clericalismo fortemente combatido pelo Papa Francisco. “Pela graça do batismo, como diz São Paulo, nós nascemos leigos e nos fazemos padres e bispos, não nascemos padres e bispos. Nós fizemos nossa opção, não muda a categoria do batismo, o batismo é igual para todos, precisamos ter essa compreensão, todos somos iguais diante de Deus”, afirmou.

Legados

Apesar de ter a duração de 364 dias, o Ano do Laicato pretende estender-se por meio de dois legados no âmbito social e eclesial. Segundo Dom Severino, no seguimento eclesial, planeja-se com este período de dedicação a realidade dos leigos e leigas do Brasil, a criação de programas, formação, ministérios coordenação e animação, de comunidades, pastorais e movimentos na dimensão ‘sal da terra e luz do mundo’. A cultura de valorização e síntese por parte de todo o clero e dos leigos e leigas de importantes documentos da Igreja católica também será incentivada.

No âmbito da sociedade, o bispo pontuou a promoção de mecanismos de participação popular para fortalecer o controle social, a gestão participativa nos conselhos de direito, nos grupos de acompanhamento legislativo, iniciativas populares, audiências, reverendos, plebiscitos, entre outros.

“Isso é função do leigo, é lá, (…) onde precisam colocar o fermento do evangelho em todas as atividades, porque se nós nos omitimos, os maus entram, e aí ficamos reclamando que o mundo está caótico, porque nós cristãos estamos ausentes. Então este é o legado que nós queremos, que haja esta participação, esta conscientização, que os leigos assumam ser sal da terra e luz do mundo no cotidiano”, suscitou.

Fonte: Vatican News

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Missa da Assembleia da  CNBB detaca a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no

O sexto dia de trabalhos da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou com a Santa Missa celebrada no altar central do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na manhã desta segunda-feira, 16.

A celebração foi presidida pelo bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen. Participaram da procissão de entrada os bispos da Comissão e a presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Marilza Schuina.

Dom Severino começou a homilia recordando que o Ano Nacional do Laicato celebra a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil aprofundando sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, testemunhando Jesus Cristo e seu reino na sociedade.

A partir deste objetivo do Ano do Laicato, o bispo fez uma reflexão a partir da primeira leitura (At 6,8-15), na qual Estevão enfrenta um grande conflito com alguns membros da sinagoga dos libertos e outros tradicionais da comunidade ao aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão para poder, com liberdade, testemunhar Jesus Cristo e seu reino.

“Nota-se claramente um conflito provocado por Estevão por ultrapassar os velhos costumes e se deixar conduzir pelo Espírito Santo em defesa da comunidade”, ressaltou o bispo.

Refletindo sobre o Evangelho, dom Severino diz que Jesus anuncia com a vida a sintonia com o Pai: “Nós temos Jesus Cristo para apresentar ao mundo onde falta o alimento da verdade, da justiça e autenticidade. Esse é o alimento que nunca se corrompe”.

O bispo ressalta que é preciso incentivar e apoiar as iniciativas do Ano Nacional do Laicato para que produza na consciência de todos dos cristãos a firmeza de buscar o Jesus de Nazaré que apresente o Reino de Deus, o Reino sem corrupção, um Reino de Justiça e de paz. “A espiritualidade Cristã sempre terá por fundamentos os mistérios da encarnação e da redenção de Jesus Cristo. Este enfoque deve permear a formação laical desde o processo da iniciação a vida cristã”, salientou.

“Não existe fé cristã sem comunidade eclesial”, continuou dom Severino. Ele ensinou que o cristão se forma e se experimenta numa comunidade eclesial: “O testemunho de Santo Estevão que foi martirizado defendendo a comunidade de fé se repete nos mártires de ontem, de hoje e que sem dúvida teremos no amanhã”.

Dom Severino lembrou que nos últimos anos tem aumentado o assassinato de muitas lideranças nas comunidades periféricas que não são notícias, ou que são desmoralizadas para que não sejam notícias.

“São pobres que morrem. É preciso levantar esses nomes e evitar que outros líderes que defendem os pobres sejam preservados e possam encorajar todas as pessoas para que superem a onda de ódio, de perseguição, de mortes brutas financiadas pela força do capital e entidades secretas que matam, destroem vidas e a dignidade dos filhos de Deus”, destacou.

E completou: “A busca do pão vivo deve ser a maior preocupação dos cristãos leigos e leigas para que as estruturas sociais garantam o pão cotidiano, aquele pão que une e constrói segurança e sustentabilidade para toda a comunidade, humanidade, sobretudo aos pobres, abandonados, os sofridos de nossas cidades e metrópoles”.

Dom Severino finaliza invocando o Espírito Santo que ilumine a todos para que a 56ª AG confirme o princípio da unidade, caridade, ternura. “Não nos deixemos desanimar pelos que tentam destruir a alegria de sermos irmãos e de que nos queremos bem”, concluiu.

Fonte: Catolicos