Biomas brasileiros e defesa da vida – Campanha da Fraternidade 2017

Data:   21-02-2017

Biomas brasileiros e defesa da vida – Campanha da Fraternidade 2017

 

(Aspectos do Texto Base – TB e a partir dele)


Há pessoas que, ao despedir-se de alguém, desejam: “Deus te guarde”. Valemse da invocação de bênção proposta por Deus a Aarão para os pais abençoarem seus filhos: “O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6,24). Este texto bíblico é utilizado na liturgia da solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, no dia primeiro de cada ano e que São Francisco assumiu para abençoar a quem encontrava.

 

Por seu infinito amor, Deus nos envolve permanentemente com sua misericórdia, como foi evidenciado no recente Jubileu Extraordinário. Por outro lado, Ele pede constantemente para que guardemos sua Palavra, sua Aliança, seus Mandamentos, toda a Criação. E quer que nos guardemos uns aos outros. Esquecendo-se disso, Caim respondeu arrogantemente a Deus que lhe perguntava onde estava seu irmão Abel: “por acaso, sou o guarda de meu irmão?” (Gn 4,9)

 

A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano de 2017, em seu lema, vem nos lembrar esta missão que nos confia: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15), abordando o tema: FRATERNIDADE: biomas brasileiros e defesa da vida.

 

Realizar a conversão quaresmal no cuidado com as belezas da criação

 

É da natureza da CF, criada em 1963, ser ação evangelizadora em preparação da Páscoa, indicando ao discípulo missionário de Cristo aspectos concretos nos quais viver a conversão quaresmal, com a prática do jejum, da oração e da esmola, que são, respectivamente, esvaziamento interior, com libertação do apego aos bens para acolher a graça do Senhor; súplica para viver a fidelidade à Aliança e partilha fraterna e generosa dos dons e dos bens.

 

Por ser a CF ação evangelizadora na quaresma, é indispensável ter sempre presente o enfoque específico dela em cada ano e a natureza permanente deste tempo litúrgico. A quaresma é momento de renovação da vida cristã, retomando o caminho batismal de inserção na comunidade cristã para uma vida de comunhão fraterna com todos e filial com Deus. O ciclo litúrgico do ano A, seguido em 2017, dá especial destaque ao tema sacramental e batismal.

 

Pela abordagem de temas sociais, a CF é também proposta a todas as pessoas de boa vontade a participar da construção de um mundo justo e solidário.

 

Com a reflexão sobre os biomas brasileiros e a defesa da vida, ela exorta a viver a conversão ecológica que o Papa Francisco propõe na Laudato Si, encíclica sobre o cuidado com a Casa Comum (nº 217). Segundo o Papa, alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, frequentemente se omitem das preocupações pelo meio ambiente. Outros, por seu comodismo, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Faltalhes esta conversão ecológica que é viver todas as consequências do encontro com Cristo também no mundo que nos rodeia. Viver a vocação de guardiães da obra de Deus não é algo de opcional, que pode ser omitido, nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa.

 

Por esta Campanha, podemos realizar aquilo que São Gregório Magno caracterizava como o hábito nupcial do amor, exigência da fé. Para ele, “cultivar e guardar tem a dinâmica do amor. Somos convidados ao hábito do cuidado e do cultivo”.

 

Poderíamos inserir este cuidado e cultivo no Ano Mariano Nacional e do Centenário das Aparições de Fátima. A imagem de N. Sra. da Conceição Aparecida foi encontrada por pescadores nas águas de rio Paraíba do Sul e em Fátima, a Virgem Maria “apareceu aos pastorinhos numa gruta da iria, sobre uma azinheira”. Pescadores que cuidaram do precioso achado, cultivando familiaridade com o mistério revelado. Pastores, cuja atividade é o cuidado do rebanho, figura de Cristo, o Bom Pastor, que guardaram com fidelidade o pedido da Mãe do céu de viver a conversão, a penitência, a oração e a consagração das famílias ao Sagrado Coração. Viver a conversão ecológica urgida pelo Papa, cuidando e cultivando os rios e todas as fontes de água, sem a qual não há vida, e das árvores e por extensão de todo ser vivo.


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